A goleada do Chelsea frente ao Arsenal na final da Liga Europa permitiu que os blues terminassem da melhor forma a temporada passada mas foi também um marco para Maurizio Sarri, que conquistou ali o primeiro troféu da carreira num dia onde as notícias andaram muito à volta de um encontro numa esplanada de hotel em Baku entre Andrea Agnelli, presidente da Juventus, e Bruce Buck, líder da formação inglesa. Umas semanas depois, aquilo que foi um mero rumor durante dias a fio concretizou-se mesmo e o antigo treinador do Nápoles acabou mesmo por regressar à Serie A através dos bianconeri.

Aos 60 anos, o antigo bancário que só por volta dos 40 é que decidiu assumir mais a sério o futebol tem agora a maior missão da carreira, com tanto de desafiante como de “ingrata”. Olhando para o percurso de Massimiliano Allegri ao longo de cinco épocas na Vecchia Signora, com outros tantos Campeonatos ganhos, quatro Taças e duas Supertaças, o nível da atual Juve coloca a fasquia sempre no topo dos topos – ganhar títulos internos é, mais do que uma conquista, uma obrigação, e tudo gira em torno do sonho de voltar a ser o melhor da Europa na Champions. Para que nada falte, os transalpinos viram apenas sair Barzagli (que terminou a carreira), Spinazzola (Roma) e Cáceres (que estava emprestado) mas foram reforçados com De Ligt, Buffon, Rabiot, Ramsey ou Pellegrini, entre outros. Um plantel de luxo que tem ainda a maior das estrelas: Cristiano Ronaldo.

“Quero que os jogadores se divirtam porque acredito que, caso isso aconteça, é provável que um atleta consiga render mais. Nos primeiros 70 metros do campo quero a minha organização, nos últimos 30 vou querer ver o talento deles”, comentou o técnico em Singapura na antecâmara do primeiro ensaio com o Tottenham, na International Champions Cup, antes de falar também sobre o posicionamento em campo do português: “Cristiano ganhou tudo arrancando ligeiramente da esquerda. De início o objetivo será que ele comece a partir dessa posição, mas com as suas qualidades, movê-lo dez metros não mudaria nada”.

Os posicionamentos de alguns jogadores não foram os mesmos mas os nomes que iniciaram a partida frente ao vice-campeão europeu não mudaram muito, com Bernardeschi mais no apoio a Ronaldo e Mandzukic com Pjanic, Emre Can e Matuidi no meio-campo. E como para o português não há jogos a brincar, logo aos seis minutos conseguiu arrancar o primeiro grande momento em Singapura com uma jogada onde passou por vários adversárias e acabou a tentar um pontapé de bicicleta onde falhou na bola. Mais tarde, em boas condições para o remate após passe de João Cancelo, atirou ao lado. Ainda na primeira parte, na sequência de um grande cruzamento de Matuidi, falhou o tempo de salto e perdeu mais uma boa oportunidade na área. As coisas não estavam a correr da melhor forma e o Tottenham inaugurou mesmo o marcador por Lamela (31′).

Ronaldo teve duas hances na primeira parte mas não marcou. À terceira foi de vez (Yong Teck Lim/International Champions Cup/Getty Images)

No entanto, se existe uma característica que define o capitão da Seleção como jogador é a sua competitividade. Aliás, muitos são os companheiros e antigos colegas que, quando falam da progressão do avançado, recordam a sua vontade férrea de ganhar nem que seja num jogo a feijões de matraquilhos ou ténis de mesa. Se é assim fora de campo, é ainda mais dentro das quatro linhas e, já com Higuaín em campo, a Juventus necessitou de menos de cinco minutos para dar a volta ao resultado: primeiro foi o argentino a concluir uma boa combinação ofensiva que passou pelos pés do português, de Pjanic e de Bernardeschi (56′); depois foi Ronaldo, com um remate de primeira na passada após cruzamento rasteiro de De Sciglio (60′).

Dois minutos depois, o número 7 saiu para dar lugar a Matheus Pereira, numa paragem que serviu ainda para lançar o estreante De Ligt na equipa. E o Tottenham ainda conseguiria mesmo dar a volta de novo ao marcador: Lucas Moura desviou na área um cruzamento já em queda e fez o empate (65′) e Harry Kane, no segundo minuto de descontos e já depois de boas oportunidades para ambas as formações falhadas, marcou o 3-2 final com um remate do meio-campo a 50 metros para golo que se calhar não arriscaria se fosse uma partida oficial mas que resultou na perfeição e encerrou da melhor forma a partida.