O popular rapper e cantor norte-americano A$AP Rocky, cujo nome de batismo é Rakim Mayers, foi formalmente acusado pelas autoridades suecas de agressão com ofensa à integridade física. Rakim, de 30 anos, foi detido no início do mês após ter sido filmado numa altercação física em Estocolmo. Foram ainda detidas outras duas pessoas que foram acusadas pelo mesmo crime e também irão a julgamento.

Os moldes da acusação foram revelados esta quinta-feira e o julgamento começará na próxima terça-feira, 30 de julho, devendo terminar (ou com condenações ou com absolvições) no final da próxima semana. A pena de prisão prevista para um crime como aquele de que o artista é acusado pode ir até aos dois anos de prisão.

A detenção de A$AP Rocky causou polémica, indignando os seus fãs. O cantor e rapper teve de cancelar concertos e alegou ter agido apenas em sua defesa, após ter sido alegadamente provocado nas ruas de Estocolmo. Na sua conta oficial na rede social Instagram, A$AP Rocky publicou vários vídeos registados no dia da altercação que originou as acusações, nos quais afirmava estar a ser perseguido por dois rapazes que surgiam nas câmaras.

A$AP Rocky num concerto em Singapura, em abril deste ano (@ Christopher Jue/Getty Images for MARQUEE Singapore)

Nos vídeos que divulgou, o rapper e cantor instava repetidamente os seus alegados perseguidores a irem-se embora e a deixarem a sua comitiva (que incluía pelo menos um segurança) seguir caminho em paz. Dizia inclusivamente a um deles: “Não queremos lutar contigo, não queremos ir para a cadeia”. Do lado das alegadas vítimas — pelo menos uma delas seria filmada a levar um soco na cara do rapper —, uma delas queixava-se de que a comitiva de A$AP Rocky tinha-lhe partido os headphones.

Portanto, alguns drogados não são meus fãs. Não conhecemos estes tipos e não queríamos problemas, eles seguiram-nos durante quatro ruas e andavam a dar palmadas nos rabos de raparigas que passavam. Poupem-me”, escreveu o rapper na legenda de um dos vídeos que publicou. Na legenda de outro vídeo, escreveu: “Não conhecemos estes tipos e não queremos problemas. Seguiram-nos por quatro quarteirões”.

Apesar das alegações do cantor e rapper, o Ministério Público sueco tem uma versão diferente do que aconteceu. Em declarações prestadas à Radio 1 Newsbeat, o procurador Daniel Suneson afirmou que as autoridades do país “estudaram os vídeos disponibilizados para o inquérito” judicial e acreditam mesmo que Rakim cometeu um crime. “As provas reunidas consistem parcialmente num número de vídeos que serão mostrados em tribunal. Alguns são conhecidos do público, mas outros não”, apontou, acrescentando que as queixas das alegadas vítimas de agressão são corroboradas por testemunhas oculares.

Alegadamente sensibilizado pelo também rapper e cantor Kanye West, um dos seus apoiantes mais famosos, Donald Trump afirmou ter contactado o primeiro-ministro sueco Stefan Lofven, que lhe garantiu que o agora acusado estava a ser “tratado de forma justa e digna”. Trump terá dado garantia pessoal ao líder do Governo sueco de que A$AP Rocky não representava um risco caso viajasse e saísse da Suécia — algo que as autoridades suecas alegaram para justificar a manutenção do rapper e cantor em prisão preventiva enquanto aguardava que uma acusação fosse formulada.

Tanto a mãe do rapper e cantor de 30 anos detido na Suécia como alguns dos seus amigos e colegas de profissão (cantores e rappers) acusaram as autoridades suecas de racismo e de tratamento diferenciado, acusando-as de querer fazer de A$AP Rocky injustificadamente um exemplo.