Durante a temporada passada, as lesões de Ristovski e os problemas disciplinares do lateral macedónio, que viu o cartão vermelho na antecâmara de dois jogos importantes, deixaram visível que o Sporting precisava de reforçar a direita defesa durante o mercado de verão, já que a alternativa Bruno Gaspar não chegava para as ambições da equipa, as necessidades leoninas e aquilo que era pedido por Marcel Keizer. Desta forma, e assim que a janela de transferências abriu, os leões abriram também a busca por um lateral direito: o escolhido foi Valentin Rosier, francês do Dijon que ainda está a recuperar de problemas físicos e ainda não se estreou pelo Sporting.

Ora, a lesão de Rosier, aliada à de Ristovski, voltava a deixar os leões com o mesmo problema na direita da defesa logo na pré temporada. À partida, a solução seria então Bruno Gaspar, tal como foi durante toda a época passada; ou então Tiago Ilori, central que chegou em janeiro e que está habituado a jogar a lateral quando necessário. Mais abaixo nas apostas, com toda a certeza, estava Thierry Correia, jovem de 20 anos formado em Alcochete que mereceu a confiança de Keizer em dois jogos da Liga Europa no ano passado (Vorskla Poltava e Qarabag). Um mês depois do início dos trabalhos, o lateral superou a concorrência e surgiu como titular no jogo da Supertaça Cândido de Oliveira contra o Benfica.

Além de ser totalmente crucial pouco depois do primeiro quarto de hora, onde desarmou Seferovic quando o suíço já se preparava para inaugurar o marcador, Thierry Correia realizou uma boa exibição frente aos encarnados e mostrou-se sempre muito preparado para jogos de primeira linha e para as grandes decisões. Mesmo sendo protagonista no primeiro golo dos encarnados, já que ficou indeciso entre Raúl de Tomás e Rafa e acabou por deixar o internacional português solto nas costas, o lateral foi um dos melhores do Sporting e não escondeu as lágrimas quando Chiquinho marcou o quinto do Benfica, já em cima do minuto 90.

Depois de uma pré-época convincente, de uma estreia contida contra os suíços do Rapperswil-Jona, uma adaptação à esquerda contra o Liverpool e uma exibição muito consistente na apresentação com o Valencia, Thierry Correia saltou de quarta ou quinta opção para a direita da defesa para titular — e sempre com a dose certa de competência. O jovem lateral natural da Amadora começou a jogar do Damaiense e esteve perto de desistir do futebol porque a mãe não tinha possibilidades de o levar aos treinos e aos jogos. Conseguiu continuar com a ajuda de um treinador, que se disponibilizou para o transportar, e chamou à atenção do Sporting logo aos 10 anos, ainda enquanto infantil. Foi campeão de juvenis e juniores em Alcochete, onde ainda entrou como médio, passou a extremo e recuou depois para lateral, e depressa integrou a geração de ouro das camadas jovens da Seleção Nacional que foi campeã sub-17 em 2016 e sub-19 em 2018.

Fez 24 jogos pelos sub-23 do Sporting na temporada passada, integrou de forma regular os treinos da equipa principal e Marcel Keizer deu-lhe então as duas oportunidades europeias, ambas ainda na fase de grupos da Liga Europa. “Estou há 11 anos a trabalhar para este dia. É um momento muito feliz e emocionante para mim. Estes minutos foram muito importantes e vou continuar a trabalhar para continuar a merecer a oportunidade”, disse Thierry na altura em que jogou no Azerbaijão contra o Qarabag. Esta época, Thierry Correia tem aproveitado as lesões de Rosier e Ristovski para mostrar trabalho e cimentar de alguma forma um lugar no plantel principal e pode muito bem baralhar as opções do treinador holandês para uma posição que no último ano viveu muitas inconsistências.