O Presidente dos EUA, Donald Trump, condenou esta segunda-feira o “racismo” e a “supremacia branca” a propósito do tiroteio de El Paso, depois de ao longo do fim-de-semana ter sido acusado de ele próprio incentivar com a sua retórica anti-imigração os ataques como aquele que matou 22 pessoas, a maioria de ascendência mexicana, no passado sábado.

“O atirador em El Paso, consumido por um ódio racista, publicou um manifesto online. A uma só voz, a nossa nação tem de condenar o racismo, o fanatismo e a supremacia branca. Estas ideologias sinistras têm de ser derrotadas. Não há lugar na América para o ódio, que distorce a mente, devasta o coração e devora alma”, disse Donald Trump, num discurso com recurso a teleponto, sem as suas habituais fugas ao guião.

Donald Trump classificou os tiroteios deste fim-de-semana como “um ataque contra a nossa nação e um crime contra toda a humanidade”.

Este fim-de-semana, além do tiroteio num supermercado Walmart em El Paso, houve também outro tiroteio, em Dayton, no Ohio, onde morreram nove pessoas. A propósito dos dois incidentes, Donald Trump propôs cinco medidas, apelando aos congressistas e senadores do Partido Republicano e Partido Democrata para se unirem.

A primeira medida anunciada por Donald Trump é a uma parceria entre o Departamento de Justiça, tal como as agências federais e estatais de segurança, com as empresas de redes sociais para “desenvolver ferramentas que possam detetar atiradores em massa antes de eles atacarem”.

A segunda medida visa o fim da “glorificação da violência”, passando pela indústria dos videojogos violentos, que Donald Trump disse serem hoje “comuns” e de fácil acesso para “uma juventude problemática”.

A terceira  medida passa por “reformar as leis de saúde mental”, de forma a que sejam mais fácil “identificar indivíduos com perturbações mentais que possam cometer atos de violência”. Donald Trump referiu a necessidade de encontrar leis que providenciem tratamento mas que também possam incluir a detenção destas pessoas “quando necessário”. Nesta parte do discurso, Donald Trump disse uma das frases-chave do seu discurso que o mantém mais perto dos republicanos no que diz respeito às armas nos EUA, apontando o dedo à saúde mental e não às legislações para as armas: “São as doenças mentais e o ódio que puxam o gatilho, não a arma”.

A quarta medida anunciada por Donald Trump, porém, diz respeito a um maior controlo para as armas. O Presidente dos EUA pediu ao Congresso legislação que aqueles que “representem  um grave risco para a segurança pública não tenham acesso a armas de fogo e, se tiverem, essas armas devem ser retiradas num devido processo”.

Por fim, Donald Trump pediu ao Departamento de Justiça que propusesse uma lei que visasse a pena de morte para os crimes de ódio e tiroteios em massa.

No seu discurso, Donald Trump enviou ainda condolências ao Presidente do México pela “perda dos seus cidadão no tiroteio de El Paso”. Este domingo, o ministro dos Negócios Estrangeiros do México anunciou que o seu governo tinha pedido à Procuradoria-Geral que colocasse uma queixa junto da justiça norte-americana por terrorismo contra mexicanos.