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Ministério Público arquiva caso da Yupido, a empresa portuguesa com capital social de 29 mil milhões que nunca produziu

Caso tornou-se conhecido em 2017, depois de ser revelado que a empresa portuguesa, ainda sem produzir, tinha um capital social de 28,8 mil milhões de euros. Não foram constituídos arguidos.

Fundada em julho de 2015 por Hugo Martins, Cláudia Alves e Torcato Jorge, a Yupido chamou à atenção em 2017, quando foi revelado que o seu capital social era de 28,8 mil milhões de euros

O Ministério Público arquivou o caso da Yupido, a misteriosa empresa multimilionária com um valor de capital social de 28,8 mil milhões de euros e que não tem produtos ou funcionários. A investigação demorou dois anos e não resultou na constituição de qualquer arguido, avançou o Dinheiro Vivo e o Jornal de Notícias.

A história da Yupido começou a invadir o Twitter em setembro de 2017, depois de um professor da Universidade do Minho ter descoberto que o valor do capital social desta empresa atingia 28,8 mil milhões de euros — duas vezes mais o capital social da Galp e 15 vezes o da Sonae —, levantando dúvidas sobre a sua legalidade. O caso gerou uma grande polémica e foi investigado pela Polícia Judiciária (PJ) e pela Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC), bem como pelo Ministério Público e pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, avançou a SIC em maio do ano passado, decidiu suspender por dois anos António José Alves da Silva, o revisor oficial de contas (ROC) que comprovou que a Yupido valia 28,8 mil milhões de euros no último aumento de capital da empresa. No entanto, não foi feita uma nova avaliação da empresa.

Alves da Silva chegou a dizer ao Observador que, quando viu a imagem da “televisão” que os fundadores e um grupo de técnicos lhe mostraram, lembrou-se logo de Steve Jobs porque ia “revolucionar o sistema”. O ROC explicou ainda que foi contactado apenas para fazer a avaliação do bem, mas que não podia revelar “os caminhos que seguiu para chegar aos 28,8 mil milhões” porque tinha assinado um compromisso profissional de sigilo.

Segundo o que foi avançado na altura pelo Eco, Alves da Silva escreveu no relatório que o bem intangível (isto é, não em dinheiro) da Yupido tratava-se de uma “plataforma digital inovadora de armazenamento, proteção, distribuição e divulgação de todo o tipo de conteúdo media” e que se destacava “pelos algoritmos que a constituem”.

Fundada em julho de 2015 por Hugo Martins, Cláudia Alves e Torcato Jorge, a Yupido está sediada nas Torres de Lisboa, mas tem escritório em Telheiras e rapidamente se tornou viral nas redes sociais. Também há dois anos, o Observador apurou que algumas das reuniões de trabalho que os fundadores da Yupido tinham com pessoas externas à empresa aconteciam em Telheiras e decidiu bater à porta da empresa. Mas ninguém abriu.

O relatório e contas da empresa em 2016, consultado pelo Observador, dá conta de prejuízos no valor de 21.570 euros, depósitos à ordem em bancos no valor de 243,297 milhões de euros, um passivo a fornecedores no valor de 217,23 euros e um aumento de capital em bens em espécie ou intangíveis no valor de28.524.864.970, ou seja, de 28,5 mil milhões de euros. Não havia registo de pagamentos a funcionários ou a sócios. Não havia vendas. Não havia registo de de colaboradores da Yupido.

Em 2017, em entrevista ao Jornal Económico, Hugo Martins, que é o presidente da empresa, assegurou que tudo foi feito como mandam as regras. “A empresa foi constituída há dois anos [em 2015], e tanto o capital inicial como o aumento são do conhecimento público. Todos os procedimentos legais, tanto na constituição da empresa como no aumento de capital, foram cumpridos e aceites pelos órgãos competentes”, garantiu.

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