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Migrantes

Organizações humanitárias exigem porto seguro para as 356 pessoas a bordo do Ocean Viking

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O navio humanitário leva a bordo vítimas dos conflitos da Líbia. Apresentam sinais de violência física e psicológica, diz ao Observador uma testemunha a bordo. Malta e Itália podem ser destino.

A bordo o Ocean Viking estão 356 "homens, mulheres e crianças vulneráveis"

Médicos Sem Fronteiras/Twitter

O navio humanitário Ocean Viking tem a a bordo 356 pessoas que aguardam um porto para desembarcar depois de, na segunda-feira, ter resgatado 105 migrantes nas águas internacionais ao largo da Líbia. Esta terça-feira, os Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a SOS Méditerranée — que juntas operam o Ocean Viking — exigem que seja providenciado o mais rápido possível um porto seguro para o desembarque destes migrantes.

As duas organizações já pediram formalmente às autoridades marítimas de Malta e Itália para assumirem a coordenação e apoio necessários para encontrar um porto seguro para o desembarque, visto que são estes os países mais próximos dos centros de coordenação com capacidade para prestar a assistência necessária. As autoridades da Líbia ainda não responderam aos pedidos, informa um comunicado dos Médicos Sem Fronteiras a que o Observador teve acesso.

Entre os sobreviventes, há quem apresente sinais de violência física e psicológica sofrida durante a viagem pela Líbia. A dura realidade é que há um conflito na Líbia onde muitos migrantes e refugiados estão presos em centros de detenção na fronteira. Pedimos agora um local seguro para desembarcar estas pessoas vulneráveis sem mais demoras. Elas já sofreram o suficiente”, apela no comunicado Jay Berger, coordenador do projeto Médicos Sem Fronteiras, que está a bordo do navio.

O resgate de segunda-feira ocorreu quando um bote de borracha foi avistado pelo Ocean Viking a cerca de 40 milhas náuticas da costa líbia. A bordo do bote estavam 105 homens e adolescentes, a maioria oriundos do Sudão. Entre eles encontravam-se 29 menores, incluindo duas crianças com 5 e 12 anos. Nos dois anteriores resgates feitos pelo Ocean Viking, no sábado e no domingo, a grande parte dos migrantes resgatados eram também homens sudaneses que fugiam da Líbia.

“A vasta maioria das pessoas resgatadas pelo Ocean Viking diz ter sofrido prisão arbitrária ou extorsão. Dizem também ter sido obrigadas a trabalhar em condições equivalentes a escravatura ou torturadas durante a viagem. Dos 183 menores de idade seguros a bordo, só 11 estão acompanhados por um pai ou um adulto responsável”, revela em declarações esta terça-feira à Rádio Observador Hannah Wallace Bowman, coordenadora de comunicações dos Médicos Sem Fronteiras, também a bordo do navio.

“Esperamos que as autoridades europeias cumpram a lei internacional e ofereçam rapidamente um local seguro para o desembarque para todas as pessoas a bordo do Ocean Viking”, acrescenta.

Os MSF afirmam também que não vão enviar os migrantes de volta para a Líbia: “A única resposta do Centro Líbio de Coordenação Conjunta de Resgate foi, por duas vezes, desembarcar os sobreviventes na Líbia. Isto vai contra a lei internacional. Nós não vamos enviar sobreviventes de volta para a Líbia em nenhuma circunstância”. 

Mais espaçoso e mais adequado para as missões de resgate, o Ocean Viking está equipado para acomodar entre 200 a 250 pessoas em boas condições, mas as duas ONG garantem que a embarcação ainda tem capacidade para acolher mais migrantes caso a situação assim o exigir.

Ao mesmo tempo, e num caso semelhante, a organização humanitária espanhola Open Arms denunciou esta terça-feira o “abandono” pela Europa do seu navio com 151 migrantes a bordo no centro do Mediterrâneo, enquanto espera há 12 dias por um porto para o desembarque.

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