Rádio Observador

Direitos Humanos

Tribunal italiano autoriza entrada do navio Open Arms, há 13 dias no mar

472

Organização humanitária espanhola Open Arms já tinha denunciado o abandono do navio. Decisão do tribunal surge como resposta aos apelos para encontrar porto seguro para o desembarque.

A organização não-governamental (ONG) lamentou esta situação nas suas redes sociais e disse que "cada dia que passa é mais difícil"

Quique Garcia/EPA

Um tribunal italiano autorizou o navio espanhol Open Arms, que tem a bordo 151 migrantes e está à espera de um porto para desembarcar há 13 dias, a entrar em águas de Itália. O tribunal justifica a decisão da suspensão da proibição de entrada de navios em território nacional com a necessidade de “permitir o socorro das pessoas a bordo”. A informação foi avançada pelo El País.

O tribunal argumenta que a situação de perigo em que a tripulação se encontra exige uma resposta sem demora e que se trata de uma situação de “gravidade e urgência excecionais”. O decreto do Tribunal Administrativo Regional de Lazio não indica, no entanto, um porto para o desembarque.

A organização humanitária espanhola Open Arms já tinha denunciado na terça-feira o “abandono” pela Europa do seu navio com 151 migrantes a bordo no centro do Mediterrâneo, enquanto espera por um porto para o desembarque. A organização não-governamental (ONG) lamentou esta situação nas suas redes sociais e disse que “cada dia que passa é mais difícil”.

“É o infame silêncio da Europa. A falta de humanidade e empatia torna-os mais culpados”, censurou a organização, visando os países da Europa por não permitirem o desembarque desses migrantes salvos no Mediterrâneo, uma das rotas de migração mais perigosas do mundo.

Día 12.El abandono.151 personas invisibles siguen resistiendo en la cubierta de Open Arms pero cada día que pasa es más difícil. Es infame el silencio de Europa. Su falta de humanidad y empatía les hace más culpables. Ayúdanos a seguir.Openarms.es

Posted by Proactiva Open Arms on Monday, August 12, 2019

O navio humanitário está localizado a 29 milhas da costa da ilha italiana de Lampedusa, mas não pode entrar no seu porto devido à proibição do ministro do Interior do país, Matteo Salvini, que ameaça multas e apreensão do barco.

A bordo estão, sobrelotados no convés, 151 imigrantes resgatados em três operações diferentes nos últimos dias, todos salvos do mar depois de partirem da violenta e convulsiva Líbia.

Na segunda-feira, duas mulheres doentes foram levadas para Malta com os seus familiares, um total de oito pessoas, e um dia antes um homem teve de ser transferido para um hospital em Lampedusa.

A tripulação do navio espera um agravamento das condições do mar nas próximas horas.

Da Itália, o ministro do Interior Salvini afirmou que, como o navio é espanhol, os migrantes são de responsabilidade de Madrid. A ONG solicitou asilo à embaixada espanhola em Malta para 31 menores que estão a bordo do seu navio (que tem o mesmo nome da organização).

No entanto, o ministro do Fomento espanhol, José Luis Ábalos, disse esta terça-feira que o capitão do navio humanitário “não tem capacidade legal” para pedir asilo para os resgatados.

A Comissão Europeia declarou que está em contacto com os Estados-Membros da União para explorar soluções para os migrantes a bordo do Open Arms.

Por outro lado, outros 356 migrantes aguardam a bordo do navio Ocean Viking, fretado pelas ONG Médicos Sem Fronteiras e pela SOS Mediterranée, após mais 105 terem sido salvos na segunda-feira.

Artigo atualizado às 17h00 desta quarta-feira com a decisão do tribunal italiano de permitir a entrada do navio em águas de Itália 

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)