Os hospitais de Beja e Portalegre não têm Urgência de Ginecologia e Obstetrícia desde esta sexta-feira e durante o fim de semana e, no Hospital do Litoral Alentejano, não se vão realizar cirurgias, por falta de médicos.

Fontes dos três hospitais contactadas pela agência Lusa explicaram que a falta de médicos especialistas em número suficiente para o preenchimento das escalas de serviço, durante estes dias, inviabiliza o funcionamento dos serviços.

Armindo Ribeiro, secretário regional do Alentejo do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), lembrou hoje à agência Lusa que “as dificuldades dos hospitais da região para conseguirem fixar médicos não são novas”, mas, “a situação tem-se agravado e acentuado nos últimos meses e no último ano”, sendo necessárias “medidas emergentes por parte do Governo”.

“É preciso avançar com a contratação imediata de médicos. Têm que se criar medidas específicas para aumentar o número de médicos nos hospitais e nos centros de Saúde do Alentejo”, reivindicou.

No Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, pertencente à Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia já esteve encerrada, esta semana, entre as 06:00 de terça-feira e as 08:00 de quarta-feira, por falta de médicos para preencher a escala.

A situação repete-se hoje, confirmou à Lusa fonte hospitalar, estando o mesmo serviço “temporariamente indisponível, desde as 06:00 de hoje até às 08:00 de domingo, por falta de médicos da especialidade”.

“Está encerrado temporariamente. São necessários dois médicos para fazer a escala e o que acontece é que às vezes temos um, mas, como não encontramos o segundo, não podemos ter a Urgência aberta só com um”, explicou a fonte.

Para preencher as escalas, assinalou, o que “normalmente” se faz é recorrer “aos prestadores de serviços, mas, nestas alturas de férias de verão e com um feriado a meio da semana [na quinta-feira], é mais complicado”.

“Foram esgotadas todas as possibilidades e não conseguimos assegurar a escala”, frisou, assinalando que é a “sexta vez” que este cenário acontece no hospital este ano, mas “não é expectável” que regresse tão depressa: “Até final deste mês e até meio do mês de setembro temos todas as escalas já preenchidas”.

O fecho temporário “foi comunicado ao Ministério da Saúde e ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)” do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), entidade “a quem cabe fazer o encaminhamento das grávidas, consoante a sua localização, para outros hospitais”, afirmou a fonte, dando como exemplo os de Évora ou de Faro.

Já no hospital de Portalegre, o mesmo serviço encerra às 20:00 de hoje e volta a funcionar às 08:00 de segunda-feira, com as utentes a terem como alternativa Évora, revelou à Lusa o porta voz da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), Ilídio Pinto Cardoso.

A unidade tem só um obstetra nesta altura, faltando outro para poder completar a escala, explicou, frisando que esta “é quase feita ao dia”, o que dificulta poder avançar se a situação se vai repetir este mês.

No Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém (Setúbal), o problema é outro durante este fim de semana, mas a causa é a mesma. Devido à falta de profissionais “em número suficiente” para preencher a escala de serviço, não vão ser feitas cirurgias no bloco operatório, explicou à Lusa fonte clínica.

“Das 08:00 de sábado às 08:00 de segunda-feira, vão estar um cirurgião e um interno na Urgência de Cirurgia apenas para o diagnóstico e reencaminhamento dos doentes para outras unidades, mas não efetuamos intervenções cirúrgicas porque falta um cirurgião”, disse o diretor clínico dos cuidados primários de saúde da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), Horácio Feiteiro.

No Alentejo, apenas o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) relatou ter “todos os serviços a funcionar normalmente”, segundo fonte contactada pela Lusa.

O coordenador do SIM no Alentejo denunciou que o Hospital de Elvas (Portalegre) “está com falta de médicos na triagem do Serviço de Urgência Básica (SUB), porque só tem um clínico”, e criticou os “cortes cegos na Saúde implementados pelo Governo”.

“Dificultam a fixação de médicos e fazem com que outros abandonem a região”, argumentou, defendendo “a criação de melhores condições” para atrair clínicos para o território.