É um mural envolto num mistério quase tão grande quanto a identidade do artista que o pintou. O trabalho de Banksy que representava o Brexit, com um homem a partir uma das estrelas da bandeira da União Europeia, desapareceu do edifício onde estava pintado. Foi durante o fim de semana e apenas se sabe que o mural terá sido coberto com tinta. Para trás ficaram apenas andaimes.

O mural foi pintado em 2017 num edifício em Dover, Inglaterra, e tornou-se um marco da cidade inglesa. À CNN, um morador conta que os andaimes foram montados no sábado e que, na manhã de domingo, a obra tinha desaparecido.

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O edifício que Bansky escolheu para criticar o Brexit vai ser demolido em breve e os Godden, a família que é proprietária aquele prédio, já tinha demonstrado interesse em, de alguma forma, vender a obra de Bansky.

Ainda não se sabe se a ilustração foi completamente removida do edifício ou se alguém simplesmente pintou por cima do trabalho original. Mas testemunhas, que viram o início dos trabalhos, relatam que viram homens a cobrir o mural com tinta.

O desaparecimento da obra está a gerar polémica entre os habitantes da cidade, que falam num ataque à cultura e criticam aqueles que terão feito desaparecer o trabalho.

“Porquê??? Não consigo perceber porque pintariam por cima desta obra-prima, é uma tragédia”, escreveu no Facebook uma moradora de Dover.

Why??? I can’t understand why they’ve whitewashed this masterpiece, it’s an absolutely tragedy. I had family over from…

Posted by Lisa Green-Jones on Sunday, August 25, 2019

“Em nome do povo de Dover, queria mostrar o meu desagrado pela destruição do nosso Banksy”, criticou outro utilizador do Twitter. “É um vandalismo cultural da pior espécie”, acrescenta.

“Espero que isto seja só tinta para proteção, ficaria muito triste se o mural fosse removido”, escreveu outro.

Apesar das críticas, há quem defenda que a infraestrutura deve ser demolida e que o mural de Bansky não deveria ser considerado na decisão. “Gosto do Bansky mas, no fim das contas, é um edifício que estava condenado a ser demolido. Não podemos preservar um edifício só porque tem uma obra de arte. Não deixa de fazer mal aos olhos”, defendeu uma outra moradora.