Ferdinand Piech morreu a 25 de agosto mas desde 2010 que o destino da sua fortuna de mais de 40 mil milhões de euros estava traçado. O antigo líder e figura histórica da construtora automóvel Volkswagen tinha receio que o império que construiu fosse facilmente derrubado, pelo que juntou um conjunto de condicionantes ao seu testamento que podem dificultar o acesso dos herdeiros – a sua viúva e os 12 filhos – ao património.

No testamento, Úrsula Piech surge como herdeira, mas com uma condição: todos os direitos da austríaca perdem-se se ela se casar novamente. Enquanto e se tal não acontecer, ‘Uschi’, como era chamada pelo marido, assume as rédeas da Volkswagen e a direção das duas fundações que concentram grande parte do património da família: a fundação Ferdinad Karl Alpha e a Ferdinand Karl Beta. Caso a clausula seja cumprida, serão suas até ao dia da sua morte. Nesse momento, são os 12 filhos que tomam o controlo da herança- mas também eles estão restringidos.

Ferdinand Piech casou-se quatro vezes pelo que apenas três dos 12 herdeiros são fruto do seu casamento com Úrsula. Ainda assim, todos terão de aguardar até ao dia da sua morte para ter acesso ao espólio. Para garantir uma boa gestão dos fundos, Piech também deixou uma condicionante à prole: Decisões sobre o património só podem ter luz verde quando pelo menos nove dos 12 filhos estiverem de acordo.

Ao construir um negócio de raiz na área da indústria automóvel, Ferdinand fez dos Piech uma das famílias mais ricas da Europa. No entanto, a história de sucesso do clã está longe de começar aqui: é neto de Ferdinand Porsche, o responsável pela marca com o mesmo nome. No entanto, a empresa não foi deixada ao pai de Ferdinand Piëch mas sim a um genro do fundador – algo que fez desencadear uma guerra familiar. O destino viria a trazer a Porsche de volta aos Piech quando, em 2012, Ferdinand comprou um conjunto de ações suficientes para garantir à Volkswagen o controle de uma das principais marcas de carros desportivos do mundo. Antes disso, Ferdinand Piech chegou a trabalhar com a Mercedes e a Audi antes de resgatar a Volkswagen de uma falência que se afirmava como inevitável.