O grupo de 26 peregrinos oriundos de Portugal chegou no segundo e último dia da popular festa religiosa de Angola, que se assinala anualmente e congrega milhares de fiéis na pequena vila de Muxima, no município de Quissama, província de Luanda.

Vieram de norte e sul do país, integrados num grupo organizado pelos missionários da Boa Nova de Cucujães, e que passou antes pelas missões de Sumbe, Gabela e Porto Amboim, em Angola.

“É um ano missionário em Portugal e resolvemos vir ao encontro da missão, disse à Lusa, Vítor Coelho de 68 anos, minutos antes da eucaristia das 8h00 que encerra deste domingo as festividades de Mamã Muxima, nome por que é popularmente conhecida Nossa Senhora da Conceição nesta comemoração.

Para Vitor Coelho, esta é uma “Nossa Senhora à maneira africana” com cânticos e uma “alegria de viver” características de um povo “alegre e bem-disposto” que “faz sentir o coração palpitar”.

“O povo angolano e o povo português são irmãos, há algo de comum entre nós este espírito de paz, de alegria, de boa disposição, de solidariedade. Acho que é isso que nos une”, comentou o peregrino.

Ao seu lado está Augusta Estima de 63 anos, de regresso a Angola, onde fez voluntariado missionário, para “conhecer Muxima e agradecer as bênçãos recebidas”.

Mais habituada a fazer peregrinações à “Fátima de Portugal” compara a devoção à Muxima de Angola. “É Maria”, resume, descrevendo um conjunto de emoções” que a fazem sentir “parte do povo angolano”.

Augusta Estima recorda que, deixou Angola, há treze anos, precisamente na altura em que as pessoas estavam a preparar-se para a Muxima.

“Eu também quis vir fazer a experiência da Muxima”, destaca a peregrina portuguesa que veio integrada na única delegação estrangeira que se juntou este ano à festa angolana.

As comemorações mobilizaram cerca de 800 polícias e quase 300 técnicos de saúde para apoiar os peregrinos, mas mesmo assim não conseguiram evitar a morte de três pessoas: duas foram vítimas de atropelamento mortal, ainda na sexta-feira, e uma jovem de 27 anos morreu no sábado de doença, indicou fonte policial.

Uma outra pessoa esteve prestes a afogar-se no rio Cuanza, junto ao qual se realiza a “Mamã Muxima”, apesar dos avisos que alertam para os riscos e que os próprios padres fizeram ecoar no recinto antes das celebrações religiosas.

Segundo uma publicação do Secretariado de Liturgia de Viana, a fundação das ermidas dedicadas à Virgem Maria nas margens do rio Cuanza, entre as quais a da Senhora da Muxima deveu-se ao português Paulo Dias de Novais que aqui chegou com alguns padres jesuítas em 1560.

“De então para cá, nunca a devoção à Muxima deixou de ser praticada nem momento de guerra e de confusão generalizada”, salienta o documento.

A publicação realça que os peregrinos nunca interromperam o culto “apesar das imensas dificuldades com a travessia do Cuanza e a infinita picada de difícil acesso ao santuário”, coroado por uma antiga fortaleza fundada pelos portugueses, agora transformada em local de culto.

Organizada pela diocese de Viana, a peregrinação deste ano realizou-se sob o lema: “Com Maria, celebremos a fé em Jesus Cristo”.