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Rui Rio: “O PSD não é um partido de direita”

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"O CDS é um partido de direita (...) o PSD não é um partido de direita genuinamente desde a sua fundação. É social-democrata, somos um partido do centro" explicou Rui Rio em entrevista à Lusa.

Rui Rio voltou a frisar que nunca perdeu nenhuma eleição

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente do PSD diz que disputa mais eleitorado ao PS do que ao CDS, não se arrepende de não ter feito uma coligação pré-eleitoral com os democratas-cristãos e admite que poderia “ligar bem” com Assunção Cristas.

Em entrevista à Agência Lusa, que será divulgada na íntegra no domingo, Rui Rio antecipa que o debate que terá esta quinta-feitra à noite com a líder do CDS-PP, na SIC, — o primeiro em que participa — será convergente nas críticas ao Governo socialista, com “alguma ou outra diferença” em matéria de propostas.

“Historicamente, neste ponto ou noutro, o PSD disputou eleitorado com o CDS, comigo o PSD não disputa eleitorado nenhum com o CDS. O CDS é um partido de direita — e bem, tem de haver partidos democráticos de direita —, o PSD não é um partido de direita genuinamente desde a sua fundação (…) é social-democrata, somos um partido de centro”, afirmou.

“Disputo eleitorado ao centro, eu disputo mais eleitorado ao PS do que com o CDS, como é evidente”, frisou.

Quanto ao debate com Assunção Cristas, Rio admite que pode haver “um ou outro ponto em que o CDS venha a defender uma posição mais à direita, mais conservadora”.

“Naquilo que forem as críticas ao governo, vamos ter provavelmente uma convergência muito grande. Naquilo que forem as propostas, pode-se notar aqui ou acolá uma ou outra diferença, se as coisas fossem para o capítulo ideológico notavam-se mais diferenças”, disse, acrescentando que, pessoalmente, não tem “nada de direita” e é “social-democrata pelo menos desde os 15, 16 anos”.

Questionado se se arrepende de não ter feito uma coligação pré-eleitoral com o CDS, Rio respondeu negativamente.

“Não, a única vantagem da coligação pré-eleitoral é realmente o método de Hondt. Por meras razões matemáticas, as coligações acabam por dar mais dois ou três deputados no final. No entanto, acho que apesar de tudo é saudável que os partidos se apresentem em listas próprias, como se apresentaram em 2011 e depois fizeram Governo”, recordou.

O líder do PSD considerou que em 2015 “fazia sentido” PSD e CDS irem a votos em listas conjuntas, depois de quatro anos coligados no Governo, tal como nas listas da Aliança Democrática (AD) de Sá Carneiro, em que, no final dos anos ’70, “era preciso uma grande frente à direita do PS”.

“Hoje não, é saudável os partidos irem com listas próprias, têm os seus projetos, marcam algumas diferenças, quanto mais não seja na postura e na maneira de estar, para lá da componente ideológica. E depois há um resultado eleitoral e o lógico é que, sendo necessário para formar uma maioria, haja uma coligação”, considerou.

Rio repetiu que nunca perdeu uma eleição e lembrou que as que ganhou “foram todas com o CDS”, frisando, contudo, que quaisquer coligações “têm muito a ver com as afinidades entre as lideranças”.

“O dr. Francisco Sá Carneiro e o professor Freitas do Amaral ligavam bem, o dr. Pinto Balsemão com o professor Freitas do Amaral não ligavam bem”, disse.

Questionado se Rui Rio ligaria bem com Assunção Cristas, respondeu, depois de uma pausa: “Eu penso que há condições para ligar bem, pode não ligar, só a experiência o dirá, mas não vejo razões porque não há de ligar bem”.

“Se tivesse sido há uns anos talvez [fosse] mais difícil, agora ela tem mais experiência, esteve no governo uns anos, é líder do CDS há uns anos… A experiência, a força da idade, isso é suficiente para as pessoas encaixarem na política”, considerou.

Sobre a importância deste período de pré-campanha, muito marcado por debates e entrevistas, o líder do CDS admitiu ser “um tempo que vale bastante”, considerando que há mais indecisos até ao fim do que há alguns anos.

“Tem importância o todo. No caso do Governo, os quatro anos da governação, tem importância nos partidos da oposição o que foram dizendo e fazendo ao longo desses quatro anos (…) É um tempo que vale bastante, depois ainda tem a campanha eleitoral propriamente dita que também vai contar”, considerou.

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