O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) anunciou esta sexta-feira a desconvocação da greve ao trabalho extraordinário, fins de semana e feriados que se deveria prolongar até dia 22 de setembro.

O presidente do SNMMP, Francisco São Bento, revelou existir um “princípio de acordo” com a Antram que permitiu a desconvocação da greve, cujo início esteve previsto para as 00:00 deste sábado.

Também o advogado da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram), João Salvador, confirmou haver “um princípio de acordo”, no final de uma reunião no Ministério das Infraestruturas, em Lisboa, que começou perto da meia-noite de sexta-feira.

Depois de desconvocada a paralisação, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, disse que “o tempo da greve terminou e começou o tempo do diálogo”, considerando a paz social uma vitória. “O país está cansado destas greves, não temos dúvidas de que os motoristas também, as empresas também. Foram quatro pré-avisos de greve em pouco mais de quatro meses”, afirmou Pedro Nuno Santos.

Depois de uma greve em abril e outra em agosto, por melhores condições remuneratórias, os motoristas de matérias perigosas tinham previsto iniciar este sábado uma nova greve que deveria terminar no dia 22.

Esta greve, tal como as duas anteriores foi convocada pelo SNMMP, um sindicato independente, criado há cerca de um ano, que até há pouco tempo teve como porta-voz um advogado que, entretanto, se tornou candidato às eleições legislativas pelo Partido Democrático Republicano.

A decisão de fazer uma nova greve surge em resposta “à intransigência da Antram [Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias] em não aceitar” os “princípios básicos e legais” que os motoristas consideram essenciais “como ponto de partida para a mediação negocial”, considerou o presidente do SNMMP, Francisco São Bento.

Entre os motivos para a convocação da greve “cirúrgica”, abrangendo as horas extraordinárias, fins de semana e feriados, o responsável sindical sublinhou a exigência do pagamento “das horas extraordinárias acima das nove horas e meia de trabalho diário” e de que as mesmas “sejam pagas de acordo com o que se encontra tipificado na lei”.

Uma vez que o SNMMP e a Antram não chegaram a acordo sobre os serviços mínimos a prestar durante a greve, o Governo aprovou na quarta-feira o despacho que estipula os serviços a assegurar aos sábados, domingos e feriados.

Notícia atualizada às 9:38