Pelo menos três casas ficaram destruídas em Valongo de Baixo, em Valpaços, no distrito de Vila Real, devido a um incêndio que começou cerca das 13h30 da tarde desta sexta-feira e que mobilizava, pelas 19h30, mais de 300 bombeiros, 103 veículos e três meios aéreos. A informação foi confirmada à Rádio Observador pelo presidente da Junta de Freguesia de Ervões, Francisco Machado.

A localidade de Valongo já tinha sido evacuada. Francisco Machado explica que não há vítimas e que as habitações estavam desabitadas, embora ainda não se saiba se se tratam ou não de casas de primeira habitação. “Não há a lamentar vidas humanas, mas há efetivamente casas que estavam a arder, algumas devolutas”.

As pessoas foram retiradas para um local seguro de Valongo de Baixo. A maior dificuldade a esta hora é o vento. Num ápice o fogo chega de um lado ao outro”, adianta.

O Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Vila Real aguarda um “reforço de meios operacionais” para combater o “difícil incêndio” de Valpaços que está ativo desde as 13h36 e que obrigou a evacuar uma aldeia. “Esperamos reforços de meios de Lisboa, Porto, Viseu, Guimarães ou Braga para nos ajudarem no difícil combate às chamas”, disse à Lusa fonte do CDOS. As chamas estão a ser combatidas por 383 operacionais, apoiados por 119 veículos. Pelas 23h30, uma das três frentes ativas do fogo estava a ceder aos meios.

A mesma fonte avançou que duas pessoas acamadas, habitantes em localidades de Valpaços atingidas pelo fogo, foram retiradas das habitações pela Cruz Vermelha Portuguesa. Acrescentou ainda que o pavilhão desportivo de Valpaços poderá ser aberto durante a noite caso seja preciso retirar pessoas das suas casas e realojá-las.

Neste momento, o fogo tem três frentes ativas, uma delas no concelho vizinho de Chaves, que é a mais preocupante, referiu a fonte. As chamas já chegaram a Gondar, em Chaves, distrito de Vila Real, sendo agora o “maior obstáculo” ao combate às chamas o “vento forte” e as suas mudanças de direção.

Fogo na Sertão já fez sete feridos e consumiu mil hectares de floresta

Já no concelho da Sertã, em Castelo Branco, seis bombeiros e um civil ficaram feridos durante um outro incêndio que está a consumir um povoamento florestal, confirmou à Lusa fonte da Proteção Civil. Cinco dos feridos são ligeiros e os outros dois estão a ser reavaliados.

O presidente da Câmara da Sertã, José Farinha Nunes, disse à Lusa que já arderam “pelo menos mil hectares” de floresta, consumidos pelo incêndio que hoje deflagrou no concelho. O autarca explicou que o incêndio que deflagrou hoje, pelas 14h50, na localidade de Marmeleiro, no concelho da Sertã, “tomou rapidamente grandes proporções. Ninguém estava à espera”, frisou. Quanto à situação no teatro de operações, José Farinha Nunes disse que o fogo acalmou.

A situação está agora [às 22h10] mais calma e parece que as coisas poderão ser controladas. Há máquinas de rasto no terreno a abrir aceiros. O receio está no dia de amanhã por causa dos ventos que estão previstos”, sustentou.

O autarca adiantou ainda que, para já, não há quaisquer situações de risco para localidades nem tão pouco se coloca a hipótese de fazer quaisquer evacuações.

Este fogo obrigou ainda a cortar a Estrada Nacional 2 (EN2) nos dois sentidos. A GNR adianta ao Observador que a EN2 está cortada no quilómetro 351, entre Junceira e Chão da Telha. Estão empenhados em combater as chamas destes incêndio, que deflagrou cerca das 15h00, 583 operacionais, apoiados por 177 veículos.

Ainda em Coimbra, um incêndio estava pelas 23h00 a mobilizar no concelho de Miranda do Corvo 534 operacionais, apoiados por 160 viaturas. Não existe, para já, nenhuma povoação em perigo, mas as chamas obrigaram ao corte da Autoestrada 13 (A13), entre o nó de Almalaguês e Coimbra. Fonte oficial do CDOS de Coimbra explica ao Observador que o fogo atravessou esta autoestrada de um lado ao outro e que o incêndio está agora a chegar à freguesia de Almalaguês.

“A frente que seguia em direção à vila de Miranda do Corvo está controlada, o problema são as projeções que estão a criar vários problemas”, salientou o vereador Rui Godinho, responsável pelo pelouro da Proteção Civil no município de Miranda do Corvo, acrescentando que já ardeu uma “área considerável”.

Em atualização