Uma rede de traficantes de ovários e bebés recém-nascidos de mulheres com origem sobretudo na Bulgária foi esta quarta-feira desmantelada em Tessalonica, no Norte da Grécia, anunciou a polícia daquele país. As mulheres búlgaras, mas também georgianas e de etnia cigana, eram levadas para clínicas particulares em Tessalonica para fazer o parto ou remover os ovários, que depois eram vendidos, explicou a polícia grega.

A investigação contabilizou 22 casos de adoções ilegais e 24 de vendas de ovários no âmbito desta rede, que faturou mais de 500.000 euros desde 2016, acrescentaram as autoridades.

A operação realizada esta quarta-feira resultou na detenção de 12 pessoas, incluindo um médico, um advogado e dois funcionários de clínicas particulares de Tessalonica, sendo que o tráfico era gerido por um advogado e um ginecologista.

A polícia suspeita, no entanto, que haja mais 66 pessoas ligadas à rede, que é também investigada por lavagem de dinheiro.

As famílias candidatas a adoções pagavam entre 25 mil e 28 mil euros por uma criança, valor que abrangia o pagamento à mãe biológica, ao advogado, os custos da hospitalização e a percentagem paga aos intermediários”, explicou o chefe da polícia de Tessalonica, Christos Dimitrakopoulos.

As mulheres que faziam parte da rede recebiam, segundo a mesma fonte, entre 4.000 e 5.000 euros para fazer o parto na Grécia.

Apesar de o anterior governo grego, do primeiro-ministro Alexis Tsipras, ter alterado parte dos procedimentos de adoção para reduzir o tempo de espera dos candidatos, o processo legal necessário pode demorar cinco anos naquele país, o que tem levado muitos candidatos a recorrer a tráfico ilegal.

Em 2011, 10 búlgaros e dois gregos foram processados judicialmente por transportarem 17 mulheres grávidas búlgaras para a Grécia para aí terem e venderem os recém-nascidos. Dois anos depois, uma menina a quem a comunicação social chamou “o anjo louro” foi encontrada num acampamento cigano e acolhida pela associação “O sorriso da criança”.

O interesse mediático pela menina, chamada Maria, obrigou as autoridades búlgaras a investigar o tráfico de bebés para países estrangeiros, nomeadamente para a Grécia. Os pais de Maria, búlgaros de etnia cigana, viviam em pobreza extrema e abandonaram a menina quando esta tinha sete meses de idade, tendo sido alvo de uma investigação sobre a venda de crianças na Bulgária. O casal com quem a menina foi encontrada tinha sido acusado de sequestro, mas acabou por ser ilibado.