A agência de rating DBRS antecipa que “sem uma maioria absoluta, o PS deverá formar uma coligação semelhante à que existe no atual Governo”. A empresa canadiana diz aos investidores que é previsível que política que tem sido seguida desde 2011 — de cumprimento das metas europeias e de resolução dos desequilíbrios macroeconómicos — irá continuar a ser seguida.

Numa nota difundida esta segunda-feira, a agência de rating diz acreditar que a “correção dos desequilíbrios” em Portugal vai continuar. A DBRS recorda que “as medidas de ajustamento de emergência que foram aplicadas pelo centro-direita [PSD, CDS] entre 2011 e 2015 foram importantes para lançar as bases para Portugal reduzir os grandes desequilíbrios orçamentais e económicos”.

Depois, considera a agência, em 2015 a maioria de esquerda formada no parlamento assumiu a liderança do governo e manteve-se durante todos os quatro anos da legislatura, “mantendo um controlo sobre as despesas ajudada por custos menores com juros da dívida e investimento público mais reduzido”. Além disso, o Governo beneficiou da recuperação económica e da explosão turística.

Agora, “se um Governo liderado pelo PS tomar forma, o partido volta ao parlamento num contexto diferente”, avisa a DBRS. “O novo Governo vai continuar a enfrentar a disciplina dos mercados e o enquadramento das regras orçamentais deverá manter as finanças públicas equilibradas”, antecipa a agência de rating, lembrando que em Portugal a maior parte dos partidos são a favor de uma estratégia de redução da dívida e de cumprimento das metas a que Portugal está obrigado a cumprir, pelas regras europeias.

A expectativa é que venha aí “mais do mesmo”, isto é, “uma continuação, globalmente, das políticas”. A DBRS sublinha a necessidade de continuar a reduzir o endividamento público, que poderá cair para menos de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023.

A DBRS subiu na sexta-feira passada a notação atribuída à dívida portuguesa. “A revisão reflete a melhoria consistente em vários indicadores económicos chave de Portugal”, considerou a agência que nunca chegou a cortar o rating da dívida nacional, o que permitiu que Portugal tivesse continuado a beneficiar das medidas de estímulo do BCE mesmo quando S&P, Moody’s e Fitch atribuíam uma notação especulativa (lixo) a Portugal.

Em contraponto, a DBRS lembra que continuam a existir “legados” da crise da zona euro que criam “vulnerabilidades, incluindo um nível elevado de dívida pública, crédito malparado elevado na banca, embora a descer, e um potencial de crescimento económico relativamente baixo”.