Aquilo que era só uma hipótese avançada pelos media norte-americanos acaba de ser confirmado por Donald Trump: Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do Estado Islâmico que renderia 25 milhões de dólares em recompensa a quem desse alguma informação sobre o seu paradeiro, foi morto este sábado, num raid cirúrgico feito por forças dos EUA, no nordeste da Síria.

“Os EUA fizeram justiça com o maior líder terrorista: Abu Bakr al-Baghdadi está morto” — foi desta forma que começou o discurso do presidente norte-americano que confirmou aquilo que já se suspeitava.

As três horas de combate que levaram ao fim de al-Baghdadi

Os detalhes que se conhecem do combate que resultou na morte de al-Baghdadi são apenas aqueles que foram partilhados por Donald Trump na conferência de imprensa de quase 50 minutos em que ele próprio deu esta notícia.

De acordo como relato do Presidente dos EUA, a operação começou por volta das 17h00 (hora local) de sábado. As tropas especiais norte-americanas chegaram em helicópteros que voaram a baixa altitude, de maneira a não serem detetados.

“Voámos baixo, muito baixo, muito, muito depressa. Foi uma parte muito perigosa da missão. Entre e sair, também”, contou Donald Trump, que referiu que durante o trajeto os helicópteros dos EUA foram detetados por tropas inimigas, tendo conseguido neutralizá-las.

Quando chegaram ao complexo onde al-Baghdadi estava, as tropas norte-americanas rebentaram uma parede daquele edifício, evitando assim entrar pela entrada principal, armadilhada com uma bomba. Seguiu-se um combate que durou cerca de três horas. O final chegou quando al-Baghdadi, vestido com um colete de bombas, escondeu-se num túnel sem saída juntamente com três crianças, que se pensa serem filhos do líder terrorista.

Nesta altura, as tropas norte-americanas fizeram avançar cães de uso militar. Quando os viu, al-Baghdadi acionou o explosivo e suicidou-se, matando com ele as três crianças que usou como escudo.

“Ele morreu a chorar e a gritar depois de ter entrado a correr para dentro de um túnel que não levava a lado nenhum”, explicou Donald Trump.

Além das três crianças que morreram, havia outras 11 naquele complexo, tendo sido todas resgatadas, sem ferimentos.

Resultados de análises científicas comprovaram de forma inequívoca que os restos mortais pertenciam a Baghdadi. “Ele era um homem doente e depravado”, afirmou Trump — “e agora foi-se embora”. De forma enfática, gráfica e gratuita, o presidente dos EUA esclareceu ainda que o líder do EI era um homem “violento e implacável” e que, por isso mesmo, “morreu de forma implacável e violenta.”

Nesta operação estiveram envolvidos esforços russos, turcos, sírios, iraquianos e curdos. Nenhum soldado norte-americano perdeu a vida, só uma unidade canina registou ferimentos. “Ele morreu como um cão. Morreu como um cobarde. O mundo está muito mais seguro. Deus abençoe os EUA”, concluiu. 

“Algo muito importante acaba de acontecer”

A informação já tinha sido avançada este domingo por vários jornais e televisões, incluindo o The New York Times, Fox News, CNN, The Washington Post, que citavam várias fontes ligadas à cúpula do exercito norte-americano. A CNN, por exemplo, afirmava que a confirmação final da morte estava dependente apenas da chegada dos resultados de ADN e outras provas biométricas que os militares realizaram no terreno — algo que só se confirmou há pouco tempo.

O The New York Times avançava que o ataque ocorreu na província de Idlib, a cerca de 160 quilómetros da fronteira com o Iraque — zona onde Baghdadi estaria escondido há vários meses e que é controlada por jihadistas rebeldes seus opositores. Apesar de ter sido a Newsweek a dar a notícia primeiro, o NYT chegou a esclarecer que o homem responsável por esta operação foi o major general John W. Brennan Jr., um dos responsáveis pela unidade de elite Joint Special Operations Command.

A especulação sobre a morte de al-Baghdadi cresceu ainda mais depois de Donald Trump ter publicado um tweet misterioso, no passado sábado, onde se lia apenas “Something very big has just happened!” (“Algo muito importante acaba de acontecer”, em português). Pouco depois, Hogan Gidley, um porta-voz da Casa Branca, anunciou que Trump iria fazer um comunicado especial por volta das 13h (hora de Portugal) deste sábado — uma altura pouco usual para comunicados formais do presidente. Foi então que Donald Trump deu a confirmação inicial.

O general Mazloum Kobani, responsável máximo das Syrian Democratic Forces (SDF) — que tem sido aliados importantes dos EUA na luta contra o Daesh — também se pronunciou sobre o assunto. Através da sua conta de Twitter, este domingo, Kobani celebrou uma operação “bem sucedida e histórica” que juntou essa força militar com a dos Estados Unidos.

O comando militar do Iraque anunciou este domingo que forneceu a localização do líder do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, na Síria, o que permitiu a sua morte numa operação militar dos Estados Unidos.