“Honestamente, sinto vontade de desistir de tudo. Desligar completamente. Porquê estarmos preocupados quando o mundo está numa confusão tão grande e as pessoas parecem não se importar? Vou tirar um tempo para juntar todos os meus pensamentos. Obrigado a todos aqueles que se importam com o mundo.”

Pouco depois do Grande Prémio do Japão, onde terminou na terceira posição atrás de Valtteri Bottas e Sebastian Vettel, Lewis Hamilton deixou uma mensagem enigmática através das redes sociais que era suscetível a variadas interpretações – incluindo uma mais “radical” de poder estar a fazer uma espécie de pré-anúncio de reforma temporária ou vitalícia. Uns dias depois, a explicação sem explicar quase nada. “Queria enviar uma mensagem positiva para todos, desejar um grande fim de semana e agradecer todas as vibrações positivas que me foram enviando. Não desisti, ainda estou aqui para lutar”, anunciou. Estava resolvida a questão.

Mesmo com esse terceiro lugar em Suzuka, o título era uma questão de tempo para Lewis Hamilton. E ainda mais ficou quando venceu o Grande Prémio do México, na semana passada. Agora, nos Estados Unidos, quatro pontos seriam suficientes para carimbar o sexto campeonato mundial, superando a marcar de Fangio e ficando apenas a um de Michael Schumacher. Fez mais. E fez mais porque se há ilação a retirar deste ano de 2019 é que, dentro ou fora das pistas, o grande adversário entre o britânico e a história é o próprio piloto britânico.

Onze anos depois e com seis títulos conquistados, essa é a grande diferença em Lewis Hamilton, hoje com 34 anos. Além de uma maior presença junto dos fãs através das redes sociais, o que mais não representa do que um sinal dos tempos, o britânico está cada vez mais envolvido em causas ambientais. Da não utilização de sacos de plástico aos incêndios na Amazónia, da proteção de animais em vias de extinção à luta contra a poluição nos oceanos, há um novo Hamilton fora da Fórmula 1 que começa a passar também para o interior da competição, pela preocupação pelo consumo de combustível – aliás, a seguir a esse Grande Prémio do Japão, o piloto da Mercedes assumiu em termos públicos que estava a trabalhar para que houvesse uma cada vez maior racionalização das emissões de carbono, o que valeu mesmo alguns reparos de pilotos de outras equipas.

O estilo de vida vegan, que tantas vezes foi alvo de notícia, quase passou para um patamar secundário perante as novas preocupações ambientais, que motivaram mesmo a venda do avião que tinha para fazer as viagens de prova em prova ou a utilização de um Smart totalmente elétrico no seu dia a dia. As dúvidas, essas, são outras. Para onde vai Lewis Hamilton? Até onde vai Lewis Hamilton? Como vai Lewis Hamilton?

Passando agora para a Fórmula 1, vai para a história que apenas um conseguiu fazer até hoje: Michael Schumacher. Ao sagrar-se pela primeira tricampeão de forma consecutiva, Hamilton passou a estar apenas a um título de ser o melhor dos melhores a par do piloto germânico e de uma forma convincente onde nem as melhorias da Ferrari após a paragem de um mês no calendário foi capaz de travar: em 19 corridas, esteve em 16 pódios e ganhou dez, sendo que o segundo lugar alcançado este domingo nos Estados Unidos atrás de Bottas soube a vitória.