Notícia atualizada às 17:40 com as declarações e o comunicado na íntegra de Rodrigo Gonçalves. 

Rodrigo Gonçalves — conhecido na estrutura do PSD como um dos maiores caciques do PSD em Lisboa e apoiante de Rui Rio nas últimas diretas — será candidato a vice-presidente da distrital do PSD de Lisboa na lista de Ângelo Pereira, candidato próximo da dupla Pinto Luz/Carreiras. Luís Newton, sabe o Observador, também irá na mesma lista à direção da distrital. As fações que contam com mais votos na distrital estão assim unidas em torno da candidatura de Ângelo Pereira, que enfrenta no próximo sábado, 9, Sofia Vala Rocha nas urnas.

Nas últimas eleições da distrital, em julho de 2017, a distrital já estava ganha pela candidatura de Pinto Luz, mas enfrentava a oposição da família Gonçalves, que conseguiu vencer a lista de delegados por Lisboa 801-597. Houve cacique de ambos os lados (o de Rodrigo Gonçalves e Ismael Ferreira) e do outro (Luís Newton à cabeça, com apoio de Nuno Firmo e Sérgio Azevedo).

Um resultado auspicioso para as eleições para a concelhia, que haviam de ser no mesmo dia das diretas, em janeiro de 2018. Aí, Rodrigo Gonçalves acabou por perder, acreditam os seus mais fiéis seguidores por uma rutura de Ismael Ferreira que colocou os votos sobre os quais tem influência na lista de Paulo Ribeiro — uma espécie de frente anti-Gonçalves.

Embora tenha perdido as eleições para a concelhia, Rodrigo Gonçalves tinha sido o grande contacto de Rui Rio nas diretas do partido contra Santana Lopes. Era ele quem controlava os call-centers para ligar a militantes e que ajudou a mobilizar os apoiantes pró-Rio nessa fase decisiva da campanha. Rio não esqueceu o apoio e levou-o para a sede (como o Observador noticiou, embora a direção de Rio nunca o tenha confirmado).

Já em maio de 2019, uma notícia do Diário de Notícias expôs uma rede criada por Rodrigo Gonçalves no Twitter, onde o social-democrata, através de perfis falsos, difundia notícias falsas contra figuras como António Costa, Marques Mendes, Ferro Rodrigues ou Francisco Pinto Balsemão. Na sequência da notícia, Rodrigo Gonçalves demitiu-se e deixou de ir à São Caetano à Lapa. Aí terá começado também o afastamento entre Rio e Gonçalves, que terá ficado consumado quando o antigo presidente interino do PSD/Lisboa recusou ficar ir em 12º lugar na lista de deputados do círculo de Lisboa. Apesar dos vários sinais públicos nesse sentido, e já após a publicação original desta notícia – onde era escrito que estava consumada a rutura entre Rio e a família Gonçalves -, Rodrigo Gonçalves emitiu um comunicado onde negou “ruptura com Rui Rio ou qualquer outro militante do PSD”. Pode ler o comunicado na íntegra no final deste artigo.

Rodrigo Gonçalves será o segundo vice-presidente de Ângelo Pereira se o até aqui líder do PSD/Oeiras vencer as eleições. O primeiro vice-presidente será Rui Rei, presidente da concelhia do PSD de Vila Franca de Xira, que também trabalha na câmara de Cascais, onde Carlos Carreiras (o mandatário da candidatura de Ângelo Pereira) é presidente e Miguel Pinto Luz, vice-presidente na mesma autarquia.

Ângelo Pereira, que conta com o apoio das dez concelhias do distrito, torna-se assim uma espécie de ‘superfavorito’ a ganhar, uma vez que conseguiu unir várias fações. Além de Lisboa, em Sintra — onde existem três tendências para as próximas eleições à concelhia (uma de Marco Almeida, outra contra Marco Almeida e uma terceira via) — Ângelo Pereira, segundo garantiu fonte da candidatura ao Observador, integrou uma pessoa de cada uma dessas sensibilidades. Da lista faz também parte, por exemplo, a presidente do PSD/Odivelas, Sandra Pereira.

À distrital do PSD de Lisboa — a segunda maior do país, a seguir ao Porto —  concorrem dois candidatos, Ângelo Pereira (com o slogan “Um Por Todos”) e Sofia Vala Rocha (com o slogan “Servir Portugal e as pessoas”).

Já a lista de Sofia Vala Rocha tem como vice-presidentes o antigo presidente do PSD/Cascais, Fernando Mesquita, e o antigo deputado do PSD e militante de Oeiras, António Macieira Coelho. Entre os seus apoiantes Sofia Vala Rocha conta com a militante número dois do partido, Conceição Monteiro. O antigo ministro do PSD, Rui Gomes da Silva, é o candidato a presidente da Mesa e o advogado e sócio da PLMJ, Luís Pais Antunes (marido da candidata), é candidato a presidente do Conselho de Jurisdição.

Quando entregou as listas na quarta-feira às 23h00, Sofia Vala Rocha, pediu para ver a lista do adversário, mas ter-lhe-à sido dito na sede distrital que nenhuma outra candidatura tinha sido entregue. O Observador sabe que Ângelo Pereira entregou a lista diretamente à mesa por volta das 22h00.

Leia aqui o comunicado de Rodrigo Gonçalves na íntegra:

“Fui confrontado por via de uma notícia do Observador – que não me contactou a perguntar o que quer que fosse – que teria entrado em ruptura com Rui Rio.
Lamento que se continue a fazer notícias sem fundamento, induzindo os mais desatentos a acreditar nelas. Desminto, categoricamente, que esteja em ruptura com Rui Rio ou qualquer outro dirigente e militante do PSD.
Agradecia que no futuro o Observador tivesse a correcção de me ligar antes de afirmar qualquer argumento que possa ser interpretado como sendo de minha autoria.
Reservo-me ao direito de comunicar, eu próprio, as minhas vontades, ideias, apoios e projectos sobre a minha atividade política, sendo o resto pura especulação jornalística.

Obrigado

Rodrigo Gonçalves”