A polícia do Zimbabué usou esta quarta-feira gás lacrimogéneo e agrediu pessoas que se tinham reunido para ouvir um discurso do líder da oposição, Nelson Chamisa, segundo as agências internacionais.

Dezenas de pessoas fugiram e evitaram golpes de bastões da polícia na capital zimbabuense, Harare, após agentes da autoridade terem isolado a sede do partido Movimento pela Mudança Democrática antes do discurso do líder do partido, Nelson Chamisa.

As forças policiais patrulharam as ruas munidas de canhões de água.

O descontentamento público tem crescido no Zimbabué desde a tomada de poder do Presidente Emmerson Mnangagwa, que tem tido dificuldades em cumprir com as promessas de prosperidade económica e liberdade política feitas durante a campanha eleitoral.

O sistema de saúde praticamente colapsou com a maior crise económica em mais de uma década no país.

Nos últimos meses, apenas manifestações que apoiem o governo foram autorizadas, enquanto protestos semelhantes promovidos pela oposição, grupos trabalhistas e de direitos humanos têm sido reprimidos pela polícia.

Um dos porta-vozes do Movimento pela Mudança Democrática, Paul Nyathi, afirmou que a polícia e os organizadores do discurso tinham concordado em realizar o evento na periferia da cidade.

No entanto, a oposição revelou ter uma carta que confirmaria a proibição do evento.

Para o porta-voz Luke Tamborinyoka as ações recentes “mostram como o espaço democrático ainda está suprimido como na época do Mugabe”, referiu, fazendo referência ao ex-Presidente que foi forçado a abandonar o cargo em 2017 após anos no poder.

As forças da autoridade rejeitaram as acusações de terem interferido no discurso.

Alguns zimbabuanos alegam que a repressão piorou depois da renúncia de Mugabe, cuja permissão da violação de direitos levou a que o país sofresse sanções internacionais.

A última inflação calculada no país atingiu os 300%, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em agosto, a segunda inflação mais alta depois da Venezuela.

Mnangagwa pediu mais tempo, alegando que a austeridade introduzida significa que a situação vai piorar antes que possa melhorar.