Vítor Gabriel é médico no Hospital de Setúbal e, à semelhança do colega Artur Carvalho (o médico do bebé que nasceu sem rosto), não detetou malformações em bebés que seriam visíveis durante as ecografias. Em causa estão três casos de possível negligência médica, avança o Público este domingo.

Há oito anos, Vítor Gabriel acompanhou a gravidez de um bebé que acabou por nascer sem rim, com pé boto (a única malformação detetada pelo médico) e sem algumas vértebras na coluna. Os pais da criança continuam a tentar responsabilizar o obstetra em tribunal.

Neste caso, a gravidez foi acompanhada numa clínica chamada Centro Materno Infantil de Setúbal, à frente da qual está Vítor Gabriel, e que tem acordo com o Serviço Nacional de Saúde. O obstreta nunca foi condenado, tendo a Ordem dos Médicos arquivado três processos disciplinares — pelo menos dois deles relacionados com a realização de ecografias.

O processo foi arquivado pelo Ministério Público, mas o casal desencadeou uma ação cível contra o médico, exigindo 145 mil euros por danos patrimoniais.

“Face aos meios empregados em termos de equipamento [os ecógrafos] e à elevada preparação do médico encarregado do exame, as malformações não poderiam ter deixado de ser detetadas”, refere o despacho de arquivamento do caso. O Departamento de Investigação e Ação Penal adianta ainda que se não fosse a “conduta negligente” do obstetra, a mãe poderia ter interrompido a gravidez.

Um segundo casal, cuja filha nasceu sem parte do braço direito, acabou por desistir depois da arquivação da queixa-crime pelo Ministério Público. Um terceiro, cuja filha não tinha parte do maxilar, não chegou a avançar para tribunal. O caso surge depois de virem a público várias denúncias de alegada negligência médica do obstetra Artur Carvalho, que não detetou as malformações do bebé que nasceu sem rosto.

Ao Público, o médico nega responsabilidades e diz que em dois casos a dificuldade com que se deparou foi “a posição do feto”, no terceiro “a obesidade da progenitora”.