“Senhores advogados, se calhar agora que estamos a rever a agenda ficamos com o senhor Ricardo Gonçalves na segunda-feira e não marcamos mais ninguém para esse dia”. No final do sexto dia do julgamento do caso de Alcochete, depois do pedido por parte do Sporting para que os jogadores leoninos ainda hoje no plantel fossem ouvidos apenas na semana seguinte, a juíza Sílvia Rosa Pires não teve dúvidas em deixar um dia apenas para o diretor de segurança da Academia, visto como uma das testemunhas chave pelo Ministério Público.

A sessão matinal arrancou já depois das 10h e com a presença de Bruno de Carvalho, antigo presidente do Sporting e um dos 44 arguidos do caso que tinha sido dispensado pela juíza até às alegações finais. À chegada, junto do seu advogado Miguel A. Fonseca, o agora comentador desportivo disse só um “bom dia” aos jornalistas. Depois da interrupção para almoço, a sessão vespertina durou quase até às 19h e mesmo assim ficaram ainda por fazer questões dois dos advogados, entre os quais o do antigo presidente do Sporting. Neste sétimo dia de julgamento, além da primeira descrição sobre o que se passou no balneário na altura do ataque, ficaram ainda mais quatro notas relevantes: 1) as imagens do CCTV da Academia nunca estiveram desaparecidas; 2) alguns dos indivíduos que entraram no espaço saltaram depois a vedação para fugirem; 3) foi explicado o teor da reunião entre Bruno de Carvalho e os elementos do staff antes da invasão, a 14 de maio; 4) vários advogados pediram a nulidade do testemunho por alegadas incongruências em comparação com a fase de inquérito.

Ricardo Gonçalves começou por admitir que soube por intermédio de Bruno Jacinto, antigo Oficial de Ligação aos Adeptos e também ele arguido no processo, da ida dos adeptos leoninos à Academia por volta das 16h55, cerca de dez a 15 minutos antes da entrada do grupo. “Foram dois telefonemas. O Bruno Jacinto ligou-me uma vez e eu liguei uma segunda vez. Disse-me que iam adeptos da Juventude Leonina à Academia, que iriam falar com jogadores mas não entrou em detalhes. Perguntei quantos e qual era o objetivo, ele não me soube dar uma resposta e desligou o telefone. Naqueles momentos falei com o Vasco Fernandes, que é secretário técnico da equipa A. Já tinha acontecido visitas de adeptos e normalmente eram pacíficas. Perguntei-lhe se sabia de algo e ele disse que não, que ia ligar ao André Geraldes, que era team manager da equipa. Voltei então a ligar ao Bruno Jacinto. Neste telefonema pareceu-me mais nervoso e instável. Disse que ia a caminho da Academia mas que não tinha mais pormenores”, começou por detalhar o então diretor de segurança da Academia.

– Sabe desde que está na Academia quantas vezes foram lá os adeptos?
– Recordo-me de pelo menos duas vezes. Nas visitas que me recordo, diria umas 20 a 30 pessoas. Havia situações em que iam apenas os representantes. No início das épocas, mais os representantes de cada grupo [organizado de adeptos], faziam uma espécie de reunião com os capitães para desejarem boa sorte e para dar força para a época. As forças de segurança, GNR e PSP, eram informadas e informavam-nos a nós. Vinha sempre a GNR, estava presente mas à civil.

As questões do Ministério Público prosseguiram, com Ricardo Gonçalves a explicar como tudo se processava nessas ocasiões. “O Oficial de Ligação aos Adeptos contactava o departamento de futebol, via team manager André Geraldes. Depois era ou não autorizado por ele, a informação chegava a mim para tomar as devias medidas e tudo era chegava internamente via Sporting, às vezes em simultâneo com a PSP que também faz recolha de informação”, referiu. “Após o telefonema do Vasco Fernandes ao André Geraldes, ele disse que o André não sabia de nada. Foi aí que pensei: se o André não sabe, se o Bruno Jacinto não dá mais informações, vou ligar diretamente para o Comandante de Posto da GNR de Alcochete, o sargento Alves”, prosseguiu.

– Ligou por ter receio ou era um procedimento comum?
– Era um procedimento comum. Não me passava pela cabeça que o objetivo das claques fosse aquele e que pudesse acontecer o que aconteceu…

[O resumo do dia 1 do julgamento do caso de Alcochete]

“Fiz depois um segundo telefonema à GNR. Fiquei sempre na estrada que vai dar à área profissional e que permite ver a entrada da Academia. Consegui ver as claques a entrar e voltei a ligar à GNR, para fazer a descrição do que estava a ver”, esclareceu o então diretor de segurança, antes de entrar em alguns pormenores. “Era um dia normal na Academia, tínhamos carros a entrar e a sair, jornalistas à porta. Foi tudo muito rápido, com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Quando eles entraram, fiz a chamada para descrever. Fui ao encontro deles na tentativa de tentar demovê-los, ao pé do Estádio Aurélio Pereira. Vale o que vale, não é? Perguntei o que queriam, disse que tinha chamado a GNR, disseram para sair da frente. ‘Não é nada contigo, senão também levas’, disseram. Reconheci o Valter [Semedo], o Bocas [Tiago Silva], apesar das caras cobertas, o Calisto [João Filipe Marques], o ucraniano [Pavlo Antonchuk]… São pessoas da estrutura da Juventude Leonina, presumo que por isso tenham ido à frente. Acompanhei-os sempre, a tentar demover mas não consegui. Entraram na ala da formação, perguntavam onde estavam os jogadores”, frisou.

“O que é que vocês estão a fazer? Vocês vão dar cabo da vossa vida. Mas eles estavam focados e não pararam”, continuou a explicar Ricardo Gonçalves.

O então diretor de segurança detalhou que a porta de acesso ao balneário tem um fecho magnético que acabou por ficar destrancado porque os suspeitos partiram o objeto do alarme de incêndio e as portas destrancaram por uma questão de segurança. “Coloquei-me à entrada da porta, numa tentativa frustrada de impedir que entrassem nos balneários”, contou. “No balneário há depois uma porta de correr que dá acesso ao vestiário. Raúl José disse ao Vasco Fernandes para não fechar a porta porque ‘o homem ainda estava lá fora’, falando de Jorge Jesus. Houve uma hesitação, a porta não foi fechada e os indivíduos conseguiram entrar”, acrescentou, numa altura onde Bruno de Carvalho ia também tirando algumas notas sobre o depoimento de Ricardo Gonçalves.

Foi nesse momento que se registaram “agressões e empurrões”. “Um deflagrou uma tocha e passou com ela à frente da minha cara quando chamei à atenção. Vi uma geleira pelo ar, um depósito de água, vi esse indivíduo do cinto a atingir o Misic”, recordou, ante de dizer que não tinha dúvidas de que Valter, Bocas e Calisto tinham entrado no balneário. “Ficaram com o Acuña e o Battaglia. Recordo-me de ver empurrões e socos. De dizerem ‘Vou-te matar, não vales nada, não jogas nada, não vão sair daqui vivos'”, referiu, admitindo ainda que tinha visto o fisioterapeuta Ludovico Marques levar com uma geleira de dimensões consideráveis e que se apercebeu de que Bas Dost, que estava no corredor, tinha sido atingido. “Mas não vi a agressão”, atirou.

[O resumo do dia 2 do julgamento do caso de Alcochete]

Depois do pânico no balneário, os indivíduos saíram e Ricardo Gonçalves disse ter ligado para a portaria, para o segurança Rui Falcão, para que os acompanhasse pelas câmaras de vigilância. Ligou também para a GNR, dando conta de que estavam a fugir. “Recordo de ver alguns a fugir a saltar pelas vedações”, disse, numa versão nunca antes admitida por qualquer das testemunhas chamadas pelo Ministério Público, entre GNR e PSP. “Na fuga, o Jesus estava no jardim e um deles deu-lhe um murro na cara. Foi à minha frente mas não consegui identificar quem foi”, contou, prosseguindo: “Vejo os elementos a fugir, o carro patrulha a chegar e ligo ao [Rui] Falcão para ir ter com o carro patrulha e avisar que já não havia ninguém, para não os deixarem fugir”.

– Viu o Fernando Barata [Mendes] nesta tarde?
– Sim.
– E mais?
– O Mamadu. Vi-os de cara destapada já com a GNR no local e a confusão já tinha passado…

“Abordei-os indignado, a perguntar porque tinham feito aquilo? Disseram que não sabiam de nada, que não tinham nada a ver com aquilo e que não tinham vindo à Academia por aquilo. Se estabeleci ligação? Como têm ligação à Juve, pensava que podiam saber de algo mas eles disseram que tinham vindo à Academia para falar com o Jorge Jesus”, respondeu depois ao Ministério Público, antes de falar também no BMW azul de Nuno Torres que entrou e saiu da Academia depois da invasão. “O vigilante da Academia ligou-me a perguntar se podia entrar o carro para buscar as pessoas com quem estava a falar. Não sabia quem era o condutor do veículo”, argumentou, antes de falar também das dúvidas em torno das imagens das câmaras que, afinal, sempre existiram.

“Não houve nenhum problema com as imagens. Os servidores sempre tiveram as imagens. O que aconteceu foi que, na altura em que a GNR chega e solicita as imagens, vou aceder e os ecrãs estavam em branco. Achei estranho. Contactei de imediato o estádio, que consegue monitorizar os servidores de Alcochete, e ele disse que tinha havido uma quebra do acesso às 17h18. Achei estranho e perguntei se alguém tinha entrado no servidor. Ele garantiu que ninguém, a menos que alguém o tivesse feito remotamente. Depois de os técnicos de Alvalade e os peritos de GNR virem, horas depois… Percebeu-se que um dos swifts que faz a ligação entre o ecrã e a recolha desligou-se por causa do alarme de incêndio mas as imagens estavam lá”, assegurou Ricardo Gonçalves, numa altura onde foi visível alguma irritação de Bruno de Carvalho, que entretanto esteve a falar com o seu advogado.

Nessa fase, Ricardo Gonçalves recordou uma reunião que houve na véspera entre o antigo presidente do Sporting e o staff, dizendo que Bruno de Carvalho “perguntou aos presentes se estavam com ele acontecesse o que acontecesse”, acrescentando ainda que não tinha conhecimento da mudança da hora do treino. “Pensei que fosse uma reunião para falar da saída de Jorge Jesus mas não se falou nisso. Jorge Jesus tinha uma forma muito própria dele de marcar os treinos semanais e não sabia com uma semana de antecedência quando era, às vezes só sabia na véspera. Nessa reunião, lembro-me de Bruno de Carvalho perguntar se o treino era à tarde. Não me lembro da resposta mas ele disse depois ‘Então temos muito trabalho'”, completou.

[O resumo do dia 3 do julgamento do caso de Alcochete]

O ex-número 1 leonino não disfarçou a insatisfação e foi abanando a cabeça, como que a dizer que “não”. Quis também sentar-se na fila da frente do bloco onde se encontram os arguidos no Tribunal de Monsanto, com a juíza a explicar que a distribuição é feita por números e, como tal, Bruno de Carvalho terá de permanecer na última fila. A juíza chamou entretanto o diretor de segurança para que pudesse observar as imagens da Academia no dia da invasão. “Não foram tomadas medidas de segurança excecionais na Academia depois dos insultos no aeroporto da Madeira porque não havia qualquer informação de visita de adeptos em Alcochete”, justificou, dizendo que tinha havido nessa altura “a troca habitual de palavras quando uma equipa perde”.

Ricardo Gonçalves voltou depois a falar no grupo que ficou na Academia depois da invasão. “A GNR perguntou-me se aquele grupo onde estava o Fernando Mendes tinha feito alguma coisa, eu disse que não os vi a fazer nada. No meio daquela confusão, houve muitos registos que ficaram por fazer, entraram muitas pessoas”, disse, antes de identificar apenas Mamadu além de Fernando Mendes. Uma das juízas mostrou-se surpresa pelo antigo líder da Juventude Leonina ter estado mais de uma hora no local com a sua permissão.

Antes da interrupção para almoço, com o regresso marcado para as 14 horas, Miguel A. Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, pediu a nulidade das declarações de Ricardo Gonçalves sobre a reunião ocorrida em abril entre o antigo presidente do Sporting e os elementos do staff do clube, alegando que o ex-número 1 leonino não tinha prestado declarações no início deste julgamento e que esse encontro decorreu à porta fechada e que não o tinha como destinatário. Logo, sendo uma conversa privada, não devia ser valorada como prova.

[O resumo do dia 4 do julgamento do caso de Alcochete]

A sessão vespertina começou com um atraso de cerca de 45 minutos em relação à hora previamente definida pela juíza presidente, Sílvia Rosa Pires. Miguel Coutinho, advogado do Sporting (que está como assistente no processo), perguntou a Ricardo Gonçalves mais pormenores sobre uma reunião em abril em Alvalade, ainda na altura de cisão entre o ex-presidente dos leões e o plantel após os comentários a seguir à derrota com o Atl. Madrid.

– Essa reunião de abril em Alvalade decorreu sempre à porta fechada?
– Sim.
– De seguida, foram para a Academia?
– Sim, eu também fui.
– Bruno de Carvalho foi?
– Sim, foi lá ter.
– Houve mais uma conversa?
– Sim, uma no auditório da Academia.
– Recorda-se do teor da mesma?
– Foi uma conversa mais normal. Estava presente o treinador Jorge Jesus e elementos da equipa técnica. Foi a tentativa de explicar que não podia fazer comentários no Facebook sobre jogadores porque não era treinador.

Nesse momento, a própria juíza começou a ficar baralhada com as reuniões e as datas. O advogado explicou então que primeiro tinha falado num encontro em abril, entrando depois no encontro que antecedeu o dia da invasão à Academia. O diretor de segurança voltou a dizer que Bruno de Carvalho queria saber quem estava com ele “acontecesse o que acontecesse” e que no seguimento referiu a frase “Temos muito trabalho pela frente”. “O que depreendeu disso?”, questionou Miguel Coutinho. “Fiquei com a ideia de que a equipa técnica tinha sido dispensada”, respondeu Ricardo Gonçalves, que identificou depois nas imagens que constam no processo a pessoa vestida de negro e com balaclava como aquela que levava o cinto que terá agredido Bas Dost.

– Alguém pediu desculpa ou mostrou arrependimento no final?
– Não.

De seguida, Sandra Martins, que é advogada de alguns dos arguidos nomeados referidos de manhã por Ricardo Gonçalves. “O Tiago Silva disse-me que não era nada comigo e para sair da frente ou também apanhava. Se tinha alguma coisa na mão? Não”, referiu, continuando: “O Tiago ocupava já uma posição de destaque dentro da Juventude Leonina, era um elemento do staff”. Entretanto, Bruno de Carvalho chamou o advogado pela terceira vez, para uma espécie de cubículo à parte que existe no bloco onde estão sentados os arguidos presentes na sala. O diretor de segurança revelou também um outro pormenor sobre esse dia: todos os indivíduos viraram à esquerda na invasão do balneário, “como se soubessem para onde deveriam ir”. 

[O resumo do dia 5 do julgamento do caso de Alcochete]

“Isto é lógica. Se ele [Bruno Jacinto] me liga a avisar que a Juventude Leonina vem à Academia é porque ele sabe. Disse-me dias depois que tinha sido o Tiago Silva [Bocas]  a avisá-lo”, disse depois ao advogado Miguel Matias, antes de se voltar ao tema das reuniões mantidas por Bruno de Carvalho em abril e maio com elementos do staff, o que fez com que o antigo líder do Sporting mostrasse o seu desagrado acenando com a cabeça. “Considerando que há contradições nas agressões a Acuña e Battaglia, a um telefonema à GNR, outro a Bruno Jacinto e em algumas expressões”, o advogado Miguel Matias avançou com o requerimento para que fossem lidas as declarações prestadas em fase de inquérito e as que prestou à procuradora Cândida Vilar, “que são diferentes”.

– Neste período, recebeu alguma ameaça ou condição para mudar o depoimento?
– Claro que não!

Ricardo Gonçalves explicou que prestou três vezes declarações, duas em maio de 2018 e uma em agosto desse ano, à procuradora Cândida Vilar. Todos concordaram que fossem de novo ouvidas. “Prestei estas declarações já em hora tardia. Fui o último a ser ouvido. É normal que ainda hoje possa lembrar alguns detalhes e esquece outros”, disse, o que provocou risos na sala. Um dos exemplos apresentados teve a ver com o facto de haver mais gente agredida no depoimento que está a ter no Tribunal de Monsanto, como Ludovico Marques. Miguel Matias voltou a insistir com a pergunta se se tratou apenas de uma questão de memória ou se foi ameaçado, Ricardo Gonçalves voltou também a insistir que não sofreu qualquer tipo de pressão ou ameaça.

O advogado voltou também ao significado da frase “aconteça o que acontecer” referida por Bruno de Carvalho na reunião que teve na véspera do ataque. “Isso depende de como as coisas são ditas e de que forma”, disse a juíza. “Perdoe-me mas é por causa disso que o senhor Bruno de Carvalho está aqui a ser julgado”, retorquiu Miguel Matias, com o antigo presidente do Sporting a levantar os braços no banco dos réus como que a dizer ‘ora bem’. Ricardo Gonçalves falou ainda do seu percurso profissional, onde além de ser militar da GNR fez estudos superiores em segurança e esteve quatro meses no SIS, e voltou à questão da fuga dos indivíduos da Academia após a invasão. “Não posso precisar mas vi meia dúzia a saltar a vedação”, confirmou, numa declaração que acaba por chocar com alguns dos depoimentos de militares da GNR que garantiam que tal não tinha acontecido.

Já o advogado Nuno Pêgo estranhou que o responsável pela segurança não tivesse mandado fechar os portões ao saber da vinda dos adeptos. “Se eu soubesse que a minha casa ia ser invadida…”, começou o advogado por dizer sendo logo interrompido pela juíza, que frisou que estava a alegar. “Mas eu não sabia que ia ser invadida”, atirou ainda a testemunha a esse propósito. “Sim, claro que tive medo”, disse depois a outro advogado, Amândio Madaleno, acrescentando que alguns dos arguidos entraram com a cara destapada ou oculta com carapuços. Também a advogada de Nuno Torres, o condutor do BMW azul que entrou na Academia após a invasão, pediu que o diretor de segurança fosse confrontado com o que disse em fase de inquérito, algo que a juíza recusou. “Não há qualquer contradição, o tribunal está completamente esclarecido e não aceita”, respondeu.

[O resumo do dia 6 do julgamento do caso de Alcochete]

As constantes alusões ao que tinha sido referido na fase de inquérito e esta segunda-feira no Tribunal de Monsanto levou a juíza Sílvia Rosa Pires a fazer uma espécie de pausa nos advogados. “Vamos todos estudar bem o Código do Processo Penal ou isto fica uma pescadinha de rabo na boca! Não me interessa o que a testemunha disse em fase de inquérito, interessa-me o que diz aqui”, realçou, antes de Paulo Camoesas, advogado de Bruno Jacinto, fazer mais algumas questões sobre as chamadas do antigo Oficial de Ligação aos Adeptos para o diretor de segurança numa altura em que já eram 18h30 e se começava a pensar no final da sessão. “Quando acontecem maus resultados no clube, é normal sermos contactados por spotters a perguntar se vai haver alguma visita”, explicou, dizendo ainda que não contactou André Geraldes, “que esteve ausente alguns dias pelo caso Cashball”. Camoesas, esse, continuava a falar “da chamada misteriosa que não consta em lado algum” para Bruno Jacinto.

– É possível alguém manualmente desligar o switch do sistema de segurança?
– Sim, é uma espécie de modem, que dá para desligar.

A sessão terminaria pouco antes das 19h, ainda com dois advogados para fazerem questões a Ricardo Gonçalves, entre os quais Miguel A. Fonseca, representante de Bruno de Carvalho. Além do diretor de segurança, serão ouvidos na sessão de amanhã, terça-feira, Paulo Cintrão, responsável pela comunicação do futebol profissional verde e branco, e Manuel Fernandes, que na altura era responsável pelo departamento de scouting.