A conferência de imprensa que antecedeu a Marcha pelo Clima, em Madrid, e em que participou Greta Thunberg, ficou marcada pelas afirmações de falta de ação por parte dos governos perante o problema das alterações climáticas. A ativista sueca que passou esta semana por Portugal diz que do ponto de vista da ação concreta dos governos e em relação à previsão do aumento das emissões de CO2 não se conseguiu “nada”.

Desde a primeira pergunta, da conferência dada pelos jovens ativistas dos movimentos Fridays For Future e Juventude pelo Clima, que ficou claro que o principal problema apontado é o da falta de medidas concretas dos governos de todo o mundo face ao problema das alterações climáticas. “Na Suécia temos uma greve pelo clima com cada vez mais gente e estamos a trabalhar mais, mas isto não se traduz em ações políticas”, começou por explicar Greta Thunberg.

Na conferência de imprensa estiveram presentes jornalistas de todo o mundo para falar com quatro líderes da greve climática, sendo que as atenções recaíram sobre a mediática ativista sueca. Ao longo dos 45 minutos de conferência, a maioria das perguntas foi direcionada a Greta Thunberg que aproveitou as circunstâncias para lançar um apelo aos jovens de todo o mundo para que se juntem ao movimento.

Uma das questões colocadas foi em relação à mudança da cimeira COP25 do Chile para Madrid, motivada pela instabilidade política e protestos violentos que se vivem em alguns pontos do país e que levaram também ao cancelamento da final da Taça dos Libertadores. “Segui os distúrbios no Chile e é deveras dececionante. Os meus pensamentos estiveram e estão com as pessoas do Chile, espero que a situação melhore”, pronunciou-se a jovem ativista sueca.

Quanto ao efeito da cimeira do clima, Alejandro Martinez, coordenador internacional da Juventude pelo clima — Fridays for Future Espanha, lembrou que “esta é a primeira cimeira desde que a maioria dos países declarou a crise climática e a última antes da entrada em vigor do Acordo de Paris”. Por isso mesmo, considerou, “tem de ser muito ambiciosa”.

Para Greta Thunberg, um dos problemas é o medo da mudança, defendendo que “há pessoas que querem tudo igual (…) por isso querem calar a gente jovem”. “Muitos hipócritas fazem publicidade contra o problema atual porque teriam de evitar a crise que provocaram”, acrescentou Vanessa Nakate, da Fridays for Future Uganda.

Sobre a mesma questão, a ativista sueca disse que ser “impossível saber como se vai parecer o mundo daqui a 10 anos”, mas que seria necessário fazer todos os possíveis para evitar o pior cenário, apelando a ações concretas por parte dos governos de todo o mundo”. “Estamos em greve há já mais de um ano e nada aconteceu. A crise climática continua a ser ignorada pelos que estão no poder e isso não pode continuar”, disse.

“Adorávamos ver alguma ação da parte das pessoas no poder. Há gente a sofrer e a morrer por causa desta emergência ecológica hoje mesmo e isso não pode continuar durante muito mais tempo”, manifestou a ativista sueca.”É muito difícil decidir como vamos continuar a fazer greve, mas não podemos parar agora”, acrescentou o líder da FFF Espanha.

A última pergunta foi dirigida, mais uma vez, a Greta Thunberg que se mostrou frustrada pela falta de ação com o clima. “Chamamos a atenção do público em geral para este problema e criámos uma opinião nas pessoas”, mas queixa-se de falta ação concreta dos governos e de previsão do aumento das emissões de CO2 em 0,6% em 2019: “Se olharmos desse ângulo, então não conseguimos nada”.

Na conferência, que durou pouco mais de meia hora, estiveram presentes Greta Thunberg, Alejandro Martinez e Shari Crespi, da FFF Espanha e Vanessa Nakate, da FFF Uganda.