A Presidente da Estónia, Kersti Kaljulaid, telefonou ao homólogo finlandês,  Sauli Niinistö, para apresentar formalmente um pedido de desculpas pelos comentários feitos pelo ministro da Administração Interna estónio, Mart Helme, a propósito da nova primeira-ministra da Finlândia e de membros do seu governo. A notícia é avançada pela agência Reuters.

Helme, líder do partido populista de extrema-direita Ekre, comentou a composição do novo governo finlandês — que inclui a primeira-ministra mais jovem em funções, Sanna Marin, de 34 anos. “Agora, uma miúda das vendas tornou-se primeira-ministra e outros ativistas de rua e pessoas sem educação também se tornaram membros do governo [finlandês]”, disse Helme à rádio TRE, segundo a edição em inglês da rádio-televisão finlandesa YLE.

O governo atual finlandês resulta de uma coligação parlamentar entre os sociais-democratas a que Marin pertence. Conta ainda com o apoio da Aliança de Esquerda, liderado por uma mulher de 32 anos (Li Andersoon), da Liga Verde, liderado por uma mulher de 34 anos (Maria Ohisalo), pelo Partido do Centro, liderado por uma mulher de 32 anos (Katri Kulmuni) e pelo Partido Popular da Suécia, liderado por uma mulher de 55 anos (anna-Maja Henriksson).

Marin não respondeu oficialmente ao comentário. Contudo, escreveu o seguinte comentário no Twitter: “Tenho imenso orgulho na Finlândia. Aqui, o filho de uma família pobre pode ter educação e alcançar os seus objetivos na vida. Uma vendedora de caixa até se pode tornar primeira-ministra”, escreveu.

O primeiro-ministro estónio, Jüri Ratas, sublinhou a necessidade de existir cooperação “respeitosa” entre os dois países, “independentemente da composição da coligação de governo ou dos partidos que o lideram”. O caso pode revelar-se complicado para o próprio governo estónio, que resulta de uma coligação entre o Partido do Centro, o Ekre e os conservadores do Pro Patria.

A líder da oposição, Kaja Kallas, declarou esta segunda-feira que, caso Helme não se demita na sequência dos comentários que fez, irá apresentar uma moção de censura. “O ministro da Administração Interna ofendeu o governo finlandês e atacou pessoalmente a recém-nomada primeira-ministra finlandesa”, acusou Kallas.