O segundo homem mais rico do mundo, Bill Gates, defende que o sistema económico e fiscal nos EUA não é justo e diz que não é preciso olhar para muito longe para constatar isso mesmo: basta olhar para a fortuna que o ex-presidente da Microsoft acumulou ao longo da vida.

Numa entrada no seu blogue, Bill Gates lamenta que “a distância entre os rendimentos mais elevados e os mais baixos, nos EUA, seja muito maior hoje do que era há 50 anos”. A forma como o sistema fiscal está montado “faz com que algumas pessoas façam um grande negócio — eu, próprio, fui desproporcionalmente bem recompensado pelo trabalho que fiz — ao passo que outros que trabalham de forma igualmente árdua têm dificuldades em ganhar o suficiente para sobreviver”.

Gates, cuja riqueza é estimada em 108,8 mil milhões de dólares, segundo a Forbes, cerca de 97,5 mil milhões de euros, defende que os políticos nos EUA têm de aumentar os impostos sobre os mais ricos.

“Sou defensor de um sistema fiscal onde, se alguém tiver mais dinheiro, paga-se uma maior percentagem em impostos”, afirmou Bill Gates, acrescentando que “os ricos devem pagar mais do que pagam atualmente, e isso inclui a Melinda [a mulher] e eu próprio”.

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Em concreto, Bill Gates defende que deviam aumentar os impostos sobre os ganhos de capital, ou seja, impostos sobre os rendimentos de investimentos financeiros. Essa seria a forma mais eficaz de aumentar a contribuição dos mais ricos, por uma razão muito simples, diz Gates: porque nenhuma das pessoas mais ricas do mundo enriqueceu apenas com o seu salário mensal.

O favorecimento que Gates diz existir para o capital, em prejuízo do trabalho, “é a evidência mais clara de que o sistema que temos não é justo”, rematou.