Depois da bomba inicial, lançada ontem pelo casal Sussex, eis a segunda investida, plasmada na generalidade dos títulos da imprensa britânica — e na fervilhante conta de Twitter do apresentador Piers Morgan, um dos principais detratores da Meghanomania, que acusa esta quinta-feira Meghan e Harry de serem “os miúdos mais mimados da história da monarquia” e desafia a monarca a “despedi-los”.

Mas o desapontamento de Isabel II ganhou outros contornos na tarde desta quinta-feira. Segundo noticia o The Telegraph, Harry e Meghan terão ido contra o pedido da monarca para adiarem o comunicado com o anúncio de que de afastariam da lida real. A mesma publicação reforça os sentimentos de “tristeza” e de “profundo desapontamento” da rainha, apanhada de surpresa pela publicação do comunicado da última quarta-feira. Isabel II teria pedido pessoalmente a Harry para que esperasse para tornar a decisão pública depois de este ter pedido para ser recebido em privado em Sandringham.

O The Guardian vai mais longe e informa que Harry e Meghan enviaram cópias do comunicado para o príncipe Carlos e para William, 10 minutos antes de o tornarem público através do Instagram. Entretanto, sabe-se que Isabel II já reuniu os vários gabinetes da casa real para encontrar uma solução para o dilema. O desfecho fica assim prometido para os próximos dias e não para as próximas semanas.

Do Daily Mail ao Telegraph, o desconforto provocado chega ao ponto de se afirmar com todas as letras que a rainha de Inglaterra não foi além de um decorativo papel nesta história: Isabel II, e ainda figuras de primeira linha como o Príncipe Carlos, não terão sido previamente consultados sobre a decisão tomada por Harry e Meghan, de seguir o seu caminho do outro lado do Atlântico, ainda que continuando a “apoiar totalmente Sua Majestade” (ou, pelo menos, não terão sido chamados a dar o seu aval na comunicação partilhada esta quarta-feira). Mesmo que o exagero dê forma a uma conclusão como esta, não há forma de escapar à “fúria da rainha”, a nota dominante nas manchetes que fazem a manhã de quinta-feira. Sempre se soube que a revolução ia passar na TV, apenas não desta forma.

Meghan e Harry abdicam de títulos reais

O Telegraph avança que a monarca de 93 anos foi informada das novidades “muito recentemente”. A mesma fonte assegura que o anúncio dos duques resultou de uma decisão “pessoal” e não esperou pela aprovação do palácio. Mais prudentes, títulos como o The Times não deixam de lado no entanto a “tristeza” da rainha perante este cenário. Já o i, contundente, escreveu na primeira página que “Harry desistiu”.

A imagem mais recente da rainha Isabel II, este domingo, a caminho da missa na igreja de Santa Madalena, em Sandringham, Norfolk. © Joe Giddens/PA Images via Getty Images

Num tom bem mais moderado, surge a biógrafa real Penny Junor, citada esta quinta-feira pelo The New York Times. “É um anúncio extraordinário. Vamos sentir a falta deles, mas não acho que isto vá causar um estrago assim tão grande na família real”, referiu a especialista, destacando o facto de o Canadá ser uma possível nova morada para o casal, logo, um país da Commonwealth.

Segundo o The Sun, Meghan e Harry terão aproveitado a sua pausa de seis semanas no Canadá, que coincidiu com o período das festas do Natal e Ano Novo, para ensaiar este afastamento, forçando agora o aguardado corte. O mesmo diário não economiza nos adjetivos e garante que Carlos, o pai de Harry, ficou mesmo “incandescente com a raiva” na ressaca da notícia. Recorde-se que a possibilidade de uma mudança do casal para o outro lado do Atlântico ocupava já o devido espaço na imprensa durante esta quarta-feira, com a confirmação oficial por parte dos duques a chegar ao final do dia, através da sua conta de Instagram, decisão que incendiou as reações dos seguidores e a habitual criatividade nas redes sociais.

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Entretanto, e comprovando que a intenção de seguir a solo está mais que firmada (e traçada há algum tempo), o par já lançou mesmo um novo site, emancipado do endereço oficial da Casa Real Britânica, no qual partilha a sua missão. “Apoiar a comunidade”, “Servir a Monarquia” e “Estreitar os laços com a Commonwealth” são apresentados como os três eixos deste novo programa e estilo de vida, cujos contornos são ainda desconhecidos. Harry e Megham manifestaram o desejo de ser “financeiramente independentes” mas falta apurar, por exemplo, em que moldes irão funcionar, ou de que tipo de regalias irão prescindir. Em jeito de paródia, o New York Post antevê a futura vida dos duques, agora na pele de gente comum, na fase pós-Megxit, o neologismo mais popular das últimas horas (logo a seguir vem Harryvederci).

Ainda durante a noite de quarta-feira, em reação ao comunicado emitido por Harry e Meghan Markle, fonte oficial do Palácio de Buckingham revelou à Sky News que “as discussões com o duque e a duquesa de Sussex estão numa fase inicial”. E acrescentou: “Compreendemos o desejo deles de assumirem uma abordagem diferente, mas estes são assuntos complicados e vão demorar a ser trabalhados”. Desde logo o sentimento de “desilusão” passou a pairar

Uma fonte anónimo da Casa Real inglesa disse à CNN que o sentimento da família real britânica após a decisão dos duques de Sussex é “desilusão”. A mesma fonte diz que Harry e Meghan Markle nunca procuraram o núcleo da realeza em busca de aconselhamento. Aconteça o que acontecer, do continente norte-americano começam a chegar as primeiras propostas de trabalho, com o The Daily Show a juntar-se à febre Megxit.

A decisão “sem precedentes” terá deixado a soberana “devastada” depois de um ano de 2019 especialmente horribilis, marcado pelo escândalo que associa um dos seus filhos, o príncipe André, a Jeffrey Epstein. E se o Mirror retoma a ideia do “desapontamento” sentido pela principal figura da coroa, lembra como a “bomba”, apesar de tudo, era mais ou menos previsível, dados os sinais que foram chegando nos últimos meses, incluindo a polémica entrevista à ITV que deixou claro que “não, não está tudo bem”, e confirmou ainda o especulado afastamento entre irmãos.

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Libras por dólares: do que vão viver os Sussex

De resto, há mesmo quem já faça as contas às libras, ou melhor, aos dólares, que o casal pode vir a render uma vez desvinculado das obrigações até aqui mantidas. Ronn Torossian, guru das Relações Públicas norte-americano, citado pelo Mirror, adianta ainda que o casal pode agora “reunir todos os patrocínios que quiser em todo o mundo”, mostrando assim como Meghan e Harry podem na verdade ser bastante mais rentáveis depois deste corte do cordão umbilical. Espera-se que o par prescinda do seu quinhão até garantido pelo Fundo de Soberania, para se lançar assim num circuito independente. Outra fonte próxima do palácio diz não ter dúvidas que Harry e Meghan, que “manterão a sua popularidade em alta”, têm tudo para ser um dos grandes super-casais do panorama mediático.

Já Penny Junor não se mostra tão otimista quanto ao futuro financeiro do casal Sussex. “O trabalho de caridade que fazem não é remunerado e eles têm um estilo de vida bastante extravagante”, assinalou. O The Times estima que a fortuna pessoal do casal deverá rondar os 35 milhões de euros, valor que muitos consideram aquém dos gastos e da vida mantida por Meghan e Harry. Em causa estão agora despesas básicas como a habitação, mas também regalias como a proteção policial e os próprios títulos reais.