A Toyota anunciou que a segunda geração do Mirai, eléctrico a célula de combustível a hidrogénio (fuel cell – FC), será introduzida comercialmente no decorrer deste ano. O lançamento está previsto para o final de 2020, primeiro no Japão, seguindo-se a América do Norte e a Europa.

O Mirai, cuja primeira geração foi lançada em 2014, sempre se destacou pela sua capacidade de se deslocar com zero emissões, oferecendo, por outro lado, uma maior autonomia do que a maioria dos eléctricos a bateria no mercado, por produzir a electricidade a bordo. Sucede que o preço não era um dos seus trunfos – é comercializado por cerca de 60.000€ na Alemanha –, o design também não era um dos seus pontos fortes e a sua penetração no mercado depende da existência (ou não) de uma rede de abastecimento. Acerca deste último constrangimento, a Toyota tem vindo a envidar esforços no sentido de apoiar o desenvolvimento da infra-estrutura de combustível a hidrogénio nos principais mercados do mundo. Simultaneamente, a marca dedicou-se ao desenvolvimento da tecnologia das fuel cells e tratou de conferir ao modelo uma estética mais de acordo com os padrões europeus. O resultado deste trabalho chegará aos concessionários antes do final do ano por um valor que ainda não foi divulgado, mas que se espera que seja mais competitivo, na medida em que a pilha de combustível de nova geração terá um custo cerca de 50% inferior àquela a que a Toyota recorre de momento.

A primeira geração do Mirai, de que foram vendidas apenas 10 mil unidades, anunciava 500 km de autonomia. A nova geração promete ir mais além, com um aumento do alcance até 30%. Ou seja, algures na fasquia dos 650 km, para poder ombrear com concorrentes que entretanto surgiram, como é o caso do Hyundai Nexo, proposta sul-coreana com 163 cv e 395 Nm de binário máximo que homologa uma autonomia de 666 km no ciclo WLTP, para o que recorre ao hidrogénio armazenado em três tanques (de 52,2 litros cada), que demoram minutos a atestar.

O incremento da autonomia do novo Mirai deve-se, segundo a marca, a melhorias no sistema de pilha de combustível e no recurso a depósitos de hidrogénio maiores, possibilitando o aumento da capacidade de combustível em cerca de um quilograma de hidrogénio por comparação com o modelo que vem substituir. Recorde-se que o Mirai que se encontra actualmente à venda consome uma média de 0,76 kg de hidrogénio por cada 100 km.

Outra das novidades do novo Mirai assenta na arquitectura. A construção com base na plataforma modular TNGA da Toyota (tracção traseira) não só permitiu ao modelo passar a oferecer cinco lugares em vez dos anteriores quatro, como conferiu aos designers uma maior liberdade criativa. A estética está mais atraente, mas há igualmente benefícios no desempenho. Além de uma maior rigidez da carroçaria, o centro de gravidade baixou, o que deverá saldar-se numa maior agilidade e eficácia.

Por dentro, também há novidades. Além de oferecer lugar para mais um ocupante, o novo Mirai aposta numa atmosfera mais moderna, com destaque para o ecrã central de 12,3 polegadas e para o painel de instrumentos a envolver o condutor.

Apesar de confirmar agora o lançamento comercial do seu FCEV, a Toyota continua sem nada revelar a respeito da potência do motor eléctrico, da densidade energética da pilha de combustível ou da capacidade da pequena bateria de iões de lítio que alimenta o Mirai nas fases em que a célula de hidrogénio ainda não está em funcionamento.