A Toyota, o maior grupo automóvel mundial — que inclui a Lexus, entre outras marcas —, assume-se orgulhosamente como um construtor japonês, colocando o seu país à frente de todos os outros e fazendo questão de produzir os novos modelos primeiro “em casa”. Mas a tradição já não é o que era, pois o novo Lexus eléctrico será fabricado primeiro na China e, só depois, no Japão, o que acontece pela primeira vez.

Esta decisão foi ainda mais comentada por o grupo Toyota não ser propriamente uma referência na produção de veículos eléctricos — curiosamente, ele que liderou a tecnologia no tempo dos híbridos com motor a gasolina, quando iniciou a fabricação do Prius em 1997, no Japão. Mas a China, que é o maior mercado do mundo para uma série de produtos, incluindo automóveis (sobretudo eléctricos), está muito avançada neste capítulo, tendo produzido em 2025 cerca de 60% dos EV em todo o mundo, aproximadamente 100 vezes mais do que a indústria automóvel nipónica, todas as marcas incluídas.

Inicialmente, foi anunciado que o novo Lexus eléctrico seria fabricado no Japão. Mas a Toyota, que já tem duas joint ventures na China — uma com a FAW e outra com a GAC, ambas estatais e controladas a 100% pelo Governo comunista — entendeu que isso era um erro, especialmente por os japoneses necessitarem de cinco anos para conceber um novo modelo, enquanto os chineses o fazem em apenas dois anos. Mais importante do que isso, na China produzem-se veículos eléctricos mais depressa e mais barato, ao contrário do que acontece no Japão ou na maior parte dos restantes mercados.

O novo Lexus a bateria vai ser produzido na fábrica que o grupo construiu nos arredores de Xangai, sendo uma das poucas unidades fabris que pode ser detida a 100% por construtores estrangeiros. Estas instalações, associadas com a Lexus, começaram a ser construídas em 2025 e são as segundas com este estatuto, depois de a fábrica da Tesla, também em Xangai, ter iniciado a operação em 2019. Esta possibilidade foi aberta após o Governo chinês alterar as regras do jogo, que antes forçavam joint ventures com construtores locais controlados pelo Estado, mas limitavam a propriedade das marcas não chinesas a 50%. Além dos dois exemplos avançados, a maior “abertura” chinesa permitiu igualmente à BMW passar a controlar a 75% da fábrica que antes partilhava (a 50%) com a chinesa Brilliance, o mesmo acontecendo com a Volkswagen e a sua linha de produção em Anhui.

De acordo com a Nikkei Asia, a nova fábrica começará a produzir o novo Lexus em 2027, a um ritmo de 1000 unidades por mês, antes de acelerar para vários milhares em 2028. Mas, ao contrário do que acontece nas restantes fábricas do grupo japonês, a nova linha de produção recorrerá aos principais argumentos tecnológicos dos construtores chineses para reduzir os custos e acelerar o ritmo de fabricação. Referimo-nos ao gigacasting, em que uma prensa “especial” consegue produzir uma grande parte do chassi (ou a totalidade, num veículo de menores dimensões) com apenas uma prensagem e numa só “pancada”.

A partir de 2027, a fábrica da Lexus na China, que começou a ser construída apenas em 2025, começará a produzir os primeiros eléctricos da nova geração. As denominações para os novos veículos a bateria ainda não foram reveladas, mas sabe-se que o TZ, um SUV com três filas de bancos e espaço para sete ocupantes, é um deles, visando o conforto e o requinte. Uma berlina eléctrica IS também está na calha para figurar entre os primeiros veículos da nova gama.