Eduardo Cerqueira, responsável financeiro da Fidequity, que gere várias das companhias de Isabel dos Santos, disse num e-mail enviado em 2014 que os bancos “fogem” da filha do ex-presidente de Angola “como o diabo da cruz”. A mensagem está entre os documentos na base da investigação que acusa Isabel dos Santos de ter desviado dinheiro enquanto era presidente da Sonangol.

O financeiro português refere-se ao facto de algumas empresas internacionais, sobretudo bancos, recusarem trabalhar com Isabel dos Santos e com toda a esfera familiar do ex-presidente Eduardo dos Santos, conta o The New York Times:“Estes tipos ouvem falar da Isabel e fogem dela como o diabo da cruz”.

O e-mail de Eduardo Cerqueira terá sido enviado depois de o Santander se ter recusado a trabalhar com angolana; e estaria a referir-se a outros bancos como o Citigroup e o Deutsche Bank, explica o jornal norte-americano.

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação publicou este domingo uma grande investigação que revela como Isabel dos Santos terá erguido um império multimilionário, que está sob suspeita por alegadamente ter desviado dinheiro da Sonangol para paraísos fiscais como o Dubai. A investigação juntou 37 jornais de 20 países que analisaram 715 mil documentos e3nviados por uma plataforma africana que protege denunciantes.

A investigação está a ser referida como Luanda Leaks e afirma que a filha do ex-presidente do Angola desviou 115 milhões de dólares (o equivalente a 104 milhões de euros) da Sonangol enquanto era presidente da empresa para contas em offshore. Isabel dos Santos nega a autoria destes crimes fiscais, afirma que todos os documentos são falsos diz-se inocente e denuncia estar a ser vítima de racismo e de preconceito.

Isabel comprou participação na Galp com dinheiro da Sonangol

A participação de Isabel dos Santos na Galp — uma aquisição que simboliza a maior parte da fortuna da empresária angolana — foi comprada com dinheiro emprestado pela Sonangol em 2006, acrescenta a BBC. O valor desse empréstimo não tinha de ser pago durante 11 anos. Quando foi devolvido, no entanto, em 2017, só foi pago em 15% e os restantes 63 milhões de euros foram transformados num empréstimo com baixos juros da Sonangol.

Quando isso aconteceu, Isabel dos Santos estava à frente da Sonangol e aceitou esse valor como um pagamento total da dívida. Mas como foi demitida três dias depois, o dinheiro foi devolvido pela nova gestão da empresa. Na opinião da empresária angolana, “não há nada de mal em nenhuma destas transações”: “Esse investimento é o que na história gerou mais benefícios para a companhia nacional de petróleo e todos os contratos que foram elaborados são contratos perfeitamente legais, não há irregularidades”.