O PS esteve esta manhã com representantes dos setores da agricultura, produção agroalimentar, distribuição, comércio e transportes e concluiu que “este Governo tem ouvido pouco” as empresas e que “essa é talvez das marcas mais nocivas que pode deixar numa crise”. Pede ao Governo que tome medidas já e garante que “nunca será pelo PS que a execução orçamental será irresponsável” — que acusa o Chega de ter tido.
No final da reunião, o secretário nacional João Torres acusou mesmo o Executivo de “inação” e “insensibilidade” junto do universo empresarial e que as “dificuldades” que sentem têm, depois, “um risco de repercussão dos custos de produção junto dos consumidores”.
Perante a crise desencadeada pelo conflito no Médio Oriente, o dirigente socialista sublinhou que ela “não só adensa incertezas, volatilidades, junto do tecido empresarial e económico”, como também tem tido uma resposta desigual por parte dos governos europeus. E aqui olha para Espanha para dizer que ouviu, “em uníssono”, dos representantes dos vários setores que os apoios nesse país “são muito maiores, são muito mais significativos do que aqueles que estão a ser dinamizados em Portugal, à proporção daquela que é a realidade e a dimensão do mercado e da economia portuguesa.”
Já quando questionado sobre se o pedido de mais medidas não pode colar o PS à ideia de despesista, João Torres responde que “o país, felizmente, não está condenado entre escolher um caminho de profunda insensibilidade social e de incompetência, que é aquele que é preconizado pelo Governo, e um caminho de profunda irresponsabilidade política, económica e orçamental, que é preconizado pela extrema-direita.”
O socialista aproveita para posicionar o PS num centro moderado, afirmando que “há um caminho de responsabilidade que defende e fundamenta a necessidade de adoção de mais medidas para combater, para mitigar o aumento do custo de vida, mas fazendo-o dentro de princípios muito firmes de responsabilidade orçamental e, portanto, de responsabilidade financeira.”
Torres garantiu mesmo que “nunca será pelo Partido Socialista que o país incorrerá no risco de ter execuções orçamentais que sejam irresponsáveis. O Partido Socialista não alinha na irresponsabilidade do Chega”, afirmou apontando às propostas deste partido.
Esta quinta-feira, o PS e o Chega vão levar a votos no Parlamento projetos para responder ao aumento do custo de vida. Ainda que, no conteúdo, os projetos dos dois partidos coincidam em alguns pontos (redução do IVA dos combustíveis e da alimentação), o do PS é uma recomendação ao Governo e os do Chega propõem que as medidas entrem em vigor apenas em janeiro.
Os socialistas vão, por isso, votar contra as propostas do Chega e não clarificam já se vão levar as mesmas ideias para a discussão orçamental que se seguirá. “Depende daquele que for o documento que o Governo apresentar em relação ao Orçamento do Estado para o ano de 2027”, disse João Torres.