Uma péssima entrada, uma ótima recuperação, um mau final, a pior derrota possível. Antes deste Campeonato da Europa de andebol, as perspetivas realistas apontavam para uma presença que ficaria na primeira ronda com uma possível vitória com a Bósnia e duas derrotas frente às favoritas França e Noruega. No entanto, Portugal desafiou o que se pensava impossível e passou mesmo à main round com um triunfo diante dos vice-campeões olímpicos (e ex-campeões mundiais e europeus), desafiando depois a vice-campeã europeia Suécia para um jogo de sonho que teve uma inesperada goleada. Depois, a Seleção perdeu com a Islândia. A mesma Islândia que eliminara antes “apenas” a campeã mundial Dinamarca. Mas esse não era ainda o fim do sonho neste Europeu.

Portugal perde com a Islândia no Europeu de andebol e complica sonho da qualificação para as meias-finais

A Eslovénia, que tinha ganho a Polónia, Suécia, Suíça e Islândia, sofreu uma derrota sendo favorita com a Hungria, abrindo assim por completo a luta pelos três primeiros lugares no Grupo II do main road com a Noruega a ser a única formação a somar apenas triunfos. Renascia a esperança, diminuía a margem de erro. E foi isso que nomes como Alexandre Cavalcanti e Miguel Martins, que tiveram participação mais ativa no encontro com a Islândia, salientaram no lançamento do encontro: além de ser já uma participação histórica e após um jogo muito atípico com mau início e final havendo períodos positivos pelo meio, Portugal tinha uma segunda oportunidade.

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“Acho que podemos encaixar naquele jogo. Em termos ofensivos, podemos fazer um bom jogo. Em termos defensivos, eles são fortíssimos a atacar. Têm jogadores extremamente experientes e criativos, como o [Dean] Bombac e [Miha] Zarabec, que são muito rápidos e são imprevisíveis”, referiu Paulo Pereira sobre a partida desta terça-feira. “Para 95% dos atletas deste grupo é a primeira vez que participam no Europeu. Uma equipa campeã não é tão inconstante como nós. Pode ter um jogo mau mas nós já tivemos dois jogos maus: com a Bósnia, que ganhámos, e com a Islândia, porque a Noruega é a Noruega. Esta inconstância e falta de experiência não permitiram uma prestação mais sólida com a Islândia, é preciso recuperar o funcionamento defensivo”, acrescentou.

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Em 25 anos de Europeu, ganhámos seis jogos, e agora, em 15 dias, ganhámos três. Alguma coisa de boa está a ser feita. Temos de continuar a desfrutar um pouco de estar entre os melhores e não estar tão pressionados, ser corajosos para ir à luta”, lançou como mote o selecionador nacional.

Portugal teve ainda cinco minutos iniciais a fazer o tal “encaixe” nos eslovenos, que iam conseguindo criar situações de remate de primeira linha e bloqueando de forma eficaz os ataques nacionais, mas Quintana, com uma eficácia de 50% nessa fase do encontro, foi segurando o jogo por diferenças máximas de um golo. Por volta dos 12 minutos, em mais uma combinação entre dois jogadores que se conhecem bem dos Sub-21, Luís Frade marcou o 6-5 após passe de André Gomes (que teve um grande regresso após lesão) e colocou Portugal pela primeira vez na frente.

A Eslovénia enfrentava então o período mais complicado no plano ofensivo perante o 6:0 da equipa de Paulo Pereira que, não sendo tão profundo como o do adversário, complicava e muito a vida às principais referências contrárias. Portugal chegou mesmo aos dois golos de vantagem (10-8) quando tinha menos um, após exclusão de Alexis Borges. No entanto, com Blaz Janc em foco (cinco golos no primeiro tempo), um desconto de tempo mudou por completo a partida, com os eslovenos a passarem para a frente em menos de um minuto e meio com um parcial de 3-0 fruto de dois roubos e uma defesa de Klemen Ferlin que colocaram o resultado em 12-11. Também Paulo Pereira parou o jogo, também Portugal melhorou e com um golo de Salina saiu mesmo a ganhar ao intervalo (15-14).

No arranque do segundo tempo, a defesa da Eslovénia melhorou e muito mas Portugal foi-se mantendo mais uma vez ligado ao jogo por ação de Quintana, que a 20 minutos do final já levava 11 defesas, algumas em situações de 1×0 com os adversários isolados. Nem mesmo com o risco do 7×6 alterou por completo a situação, com o encontro a chegar aos derradeiros 15 minutos com um empate a 21 e tudo em aberto numa partida decisiva para a Seleção, que mais uma vez se batia contra um dos melhores conjuntos no Europeu depois de uma fase onde os protestos com as decisões de arbitragem criaram perturbação na equipa, aproveitada pela Eslovénia para chegar ao 24-21.

A exclusão de António Areia não permitiu desde logo a utilização do 7×6 no ataque mas um grande remate de André Gomes em suspensão travou esse período menos conseguido de Portugal, com Paulo Pereira a parar de novo o jogo. “Já percebemos que não nos deixam jogar 7×6 mas algumas exclusões também são culpa nossa! Dois golos na nossa cabeça, como é? Tem de haver braços, braços. Vamos jogar outra vez 7×6 com o Salina e o Alexis, o jogo está longe de terminar”, disse, numa espécie de última esperança a dez minutos do final e com a Eslovénia já com quatro golos de diferença (26-22), depois de mais um lance onde ficou por marcar um sete metros sobre Daymaro Salina (sendo que antes tinham existido dois erros mais evidentes ainda, numa falta com exclusão de Cavalcanti marcada ao contrário e uma situação de dribles a Rui Silva). O jogo acabaria mesmo com 29-24, com apenas três golos marcados nos últimos 16 minutos e meio, algo que teve um custo demasiado pesado no resultado.

Portugal teve ainda uma segunda oportunidade neste Europeu onde já tinha ido mais longe do que no plano teórico se poderia pensar, chegou a tocar o céu numa primeira parte em que saiu a ganhar e podia até ter outra vantagem mas desceu à terra num segundo tempo onde a Eslovénia defendeu e atacou melhor entre erros individuais (seis turnovers nos últimos 30 minutos, contra dois dos adversários) e também alguns de arbitragem que hipotecaram as hipóteses de recuperação numa partida que terminou de vez com o sonho nacional em chegar às meias-finais, havendo ainda uma remota chance de poder terminar em terceiro do grupo e jogar a partir do quinto e sexto lugar dependendo dos resultados do resto da jornada, que terá um Noruega-Islândia e um Hungria-Suécia. Portugal encerra esta main round esta quarta-feira com a Hungria, também a partir das 15h em Malmö.