O Manchester United tem sido provavelmente o clube estrangeiro mais falado em Portugal neste mercado de inverno. Não pela necessidade óbvia que a equipa tem de obter reforços, não pelo quinto lugar que ocupa na Premier League, nem sequer pelos 88 milhões investidos em Harry Maguire no verão que ainda não são consensuais para toda a massa adepta. O United, o United que foi de Cristiano Ronaldo e de Nani, anda há semanas nas manchetes portuguesas por ser o principal pretendente de Bruno Fernandes, o protagonista de uma novela que se arrasta há meses e que já é transversal a quase todas as estações do ano.

Bruno já esteve praticamente certo no Manchester United, Solskjaer já deu a entender que o clube está claramente interessado no médio do Sporting, Silas já explicou que é difícil pedir ao capitão leonino que fique em Alvalade e o internacional português chegou a estar em dúvida para o dérbi com o Benfica. De lá para cá, já jogou a meia-final da Taça da Liga com o Sp. Braga e esta segunda-feira enfrentou o Marítimo para o Campeonato. Entre valores fixos, valores por objetivos, eventuais cedências de jogadores e a posição irredutível do Sporting face ao número de milhões que quer receber pelo médio, o negócio de Bruno Fernandes continua por fechar — quando faltam três dias úteis até ao fim da janela de mercado. O que não quer dizer que o Manchester United termine o mês de janeiro sem se reforçar com um português.

De acordo com a comunicação social inglesa, o Manchester United quer recuperar o cargo de diretor desportivo — extinto praticamente desde que Alex Ferguson chegou a Old Trafford, já que o escocês assumia verdadeiramente a posição de manager à antiga e concentrava em si mesmo todas as decisões relativas ao futebol do clube — e está a pensar em Antero Henrique para reforçar a estrutura. O dirigente português, que deixou os cargos que exercia no FC Porto em setembro de 2016, está afastado do futebol desde que foi substituído por Leonardo no PSG no passado verão, depois de ter entrado em clara desavença com o treinador Thomas Tuchel.

Antero Henrique chegou a Paris em 2017, naquela que foi uma aposta do PSG com o objetivo de reforçar a equipa com jogadores-chave para alcançar as tão pretendidas ambições europeias. O dirigente português foi o responsável pelas contratações de Mbappé ao Mónaco, de Neymar ao Barcelona e de Dani Alves à Juventus mas a equipa de estrelas acabou por nunca conseguir chegar à pretendida conquista da Liga dos Campeões. A confiança inabalável de Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, em Antero Henrique sofreu um primeiro revés na altura em que foi necessário substituir o médio Thiago Motta, que terminou a carreira — o português apostou em Leandro Paredes, que nunca se afirmou, e falhou a investida por Renato Sanches, na altura ainda no Bayern Munique. “Se eu fosse o PSG, despedia este diretor desportivo”, disse Uli Hoeness, então ainda presidente dos alemães, depois de ouvir a proposta dos franceses pelo médio ex-Benfica.

A erosão da figura de Antero Henrique em Paris acabou por ficar confirmada quando Thomas Tuchel criticou publicamente a planificação do plantel para a presente temporada numa conferência de imprensa. Antero saiu, chegou Leonardo. E agora, cerca de seis meses depois, o Manchester United quer contar com o toque de Midas do português para ser mais eficaz em negócios futuros. Antero, contudo, não é a única opção dos ingleses: a cúpula dos red devils está a explorar outras soluções e também abordou Luís Campos, antigo diretor desportivo do Mónaco (e responsável pelas transferências de Falcao, Martial, James e Bernardo, entre outros) que está agora na estrutura do Lille desde 2017.