O secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap) lamentou esta quinta-feira aquilo que está a acontecer no país, onde se corta o direito à greve, “procurando transformar os serviços mínimos em serviços máximos”.

“Quero manifestar a minha satisfação pela resolução [da UGT] ter aprovado, por unanimidade, o apoio à greve que vai ter lugar amanhã [sexta-feira] em todo o país e em todos os setores, com implicações muito significativas na saúde, educação, autarquias, justiça e segurança social”, afirmou o secretário-geral da Fesap, afeta à UGT.

José Abraão, que falava no final da reunião do secretariado nacional da UGT que decorreu em Castelo Branco, sublinhou que a greve nacional convocada para sexta-feira “vai ser uma grande greve e será certamente ouvida”.

“Pese embora os sindicatos tenham que negociar os serviços mínimos, é lamentável o que está a acontecer hoje no nosso país, cortando o direito à greve, procurando transformar os serviços mínimos em serviços máximos”, afirmou.

O responsável da Fesap entende que a greve irá corresponder aquilo que são “alguns atropelos” dos últimos anos aos direitos dos trabalhadores da Administração Pública e que querem ver resolvidos.

“É uma greve que tem como base um tratamento, que não consideramos digno, por parte do Governo, quando nos afronta com uma proposta de 0,3% que, notem bem, não penaliza só os trabalhadores da Administração Pública depois de 10 anos de ausência de aumentos salariais. Penaliza também todos os trabalhadores do setor privado, em muitos casos, sujeitos à negociação coletiva”, frisou.

José Abraão defendeu que os aumentos salariais na Administração Pública sejam uma referência, tal como no passado, com impacto no privado.

“Não é um Governo como este que, usando a velha máxima, ‘olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço’, propõe para uns uma coisa e para os trabalhadores da Administração Pública outra que é inaceitável e ofensiva. É por isso que os trabalhadores, amanhã, vão lutar”, concluiu.