A derrota de Rafa Nadal nos quartos colocou de forma separada nas meias-finais do Open da Austrália o presente e o futuro do ténis mundial: de um lado, Novak Djokovic e Roger Federer iriam jogar entre si para decidirem quem chegaria ao jogo decisivo da competição; do outro, Dominic Thiem e Alexander Zverev discutiam o papel de aspirante da nova vaga da modalidade. E a primeira decisão chegou esta quinta-feira, com o sérvio, o rei da Austrália e jogador com mais títulos na competição, a derrotar em três sets (7-6, 6-4 e 6-3) o suíço, ainda hoje rei dos Grands Slams. Tudo em nome de Kobe Bryant, o amigo próximo que levou Djokovic às lágrimas depois do acidente de helicóptero que vitimou o antigo astro do basquetebol e ícone do desporto mundial.

Naquele que era o capítulo 50 de uma das maiores rivalidades do ténis mundial (ligeira vantagem de Djokovic por 27-23), o arranque de Roger Federer deu uma idade diferente de tudo o que se seguiria ao longo de duas horas e 18 minutos: após ter salvo dois breaks no seu primeiro jogo de serviço, o suíço quebrou o serviço ao sérvio, viu o seu serviço quebrado e conseguiu o duplo break até segurar o seu jogo e passar para a frente por 4-1. O primeiro set parecia ter uma história escrita mas foi nesse momento que Djokovic mostrou ter uma história para escrever: com o helvético a poder fechar no seu jogo de serviço, conseguiu o break, levou as decisões para o tie break e “limpou” com um 7-1 que acabou por dar o mote para aquilo que se seguiria nos sets seguintes.

Aliás, melhor do que resumir o 6-4 e o 6-3 que fecharam o encontro, a reação de Federer no final disse tudo: ao contrário do que costumava acontecer a ganhar ou a perder nestas ocasiões, o ainda hoje recordista de Grand Slams (20, mais um do que Nadal e mais quatro do que Djokovic) deu os parabéns ao adversário, cumprimentou o árbitro, arrumou de forma rápida as raquetes e toalhas, acenou ao público que estava de forma maioritária a torcer por si na Rod Laver Arena e rumou aos balneários, quase que assumindo a superioridade do adversário e a nova tentativa adiada de poder voltar a ganhar um Major que se deverá agora centrar mais em Wimbledon do que em Roland Garros, a terra sagrada de Nadal onde Thiem tem surgido como principal aspirante.

Já Novak Djokovic alcançou a sua 26.ª final de Grand Slam, a oitava na Austrália onde além de ser o jogador com mais títulos tem uma eficácia de 100% nos sete jogos decisivos disputados, encontrando agora um novo opositor depois de Andy Murray (2011, 2013, 2015 e 2016), Rafa Nadal (2012 e 2019) e Jo-Wilfried Tsonga (2008).

“Devemos respeitar o Roger [Federer] por se ter apresentado hoje, estava obviamente debilitado. Não estava no seu melhor, não estava próximo do seu melhor em termos de movimentos. Merece respeito por ter vindo e ter dado o seu melhor apesar de tudo”, comentou no final o sérvio, que após o jogo com Raonic tinha falado de Kobe Bryant e que esta quinta-feira voltou a não esquecer o amigo. “Tive a sorte de ter uma relação próxima nos últimos dez anos com ele. Quando precisei de algum conselho ou de apoio, ele estava lá para mim. Foi meu mentor, meu amigo, e é devastador saber o que aconteceu com ele e com a filha”, salientou em lágrimas.