Depois de se terem defrontado na final de Roland Garros, Wimbledon, US Open e ainda do ATP Finals em 2025, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner entraram em 2025 com a certeza de que a expectativa global apontava para um novo encontro na única grande final que nunca disputaram: a do Open da Austrália. E se Sinner aparecia em Melbourne como bicampeão, as dúvidas pairavam à volta de Alcaraz.

Ao longo dos últimos anos, anos em que conquistou seis Grand Slams, o Open da Austrália pareceu sempre ser o calcanhar de Aquiles do tenista espanhol. Ficou pelas primeiras rondas em 2021 e 2022, não participou por lesão em 2023 e caiu nos quartos de final tanto em 2024 como em 2025, primeiro com Alexander Zverev e depois com Novak Djokovic. Voltar a Melbourne, portanto, era também uma tentativa de afastar uma espécie de fantasma. 

No primeiro Grand Slam disputado sem Juan Carlos Ferrero, treinador de quase sempre de quem se afastou surpreendentemente em dezembro, Carlos Alcaraz começou por ser notícia pela pulseira Whoop que teve de tirar, continuou a ser notícia pelos malabarismos com a raquete que mostrou às bancadas e nunca foi notícia por desiludir. E esta sexta-feira, à entrada para a primeira meia-final da carreira no Open da Austrália, esse era o principal trunfo do espanhol: não estar a desiludir. 

Depois de afastar Adam Walton, Yannick Hanfmann, Corentin Moutet, Tommy Paul e Alex de Minaur sem perder um único set, Alcaraz parecia pronto para o que acabou por ser uma verdadeira batalha contra Alexander Zverev. Ao longo de cinco horas e 27 minutos, naquela que já é a terceira partida mais longa de sempre no Open da Austrália, espanhol e alemão defrontaram-se por cinco sets, com direito a três tiebreaks, e não deixaram o sal e a pimenta em casa.

Zverev levou Alcaraz aos limites, tanto no resultado como fisicamente, e o espanhol demonstrou dificuldades que raramente deixa transparecer: sofreu com cãibras, pediu a assistência médica, voltou dos balneários a dizer à equipa que tinha acabado de vomitar e chegou a mostrar-se esgotado, colocando as mãos nos joelhos enquanto o corpo fraquejava. Venceu os primeiros dois sets, perdeu os dois seguintes e fez xeque-mate no quinto (6-4, 7-6, 6-7, 6-7 e 7-5), chegando à final do Open da Austrália e tornando-se o mais novo de sempre a chegar às quatro finais de Grand Slam. Mas não escondeu que foi por pouco.

“Digo sempre que temos de acreditar em nós próprios, independentemente do que estamos a enfrentar, daquilo por que já passámos. Temos de continuar a acreditar em nós próprios em todos os momentos. Fisicamente, foi um dos jogos mais exigentes da minha carreira. Tive de pôr o meu coração no jogo. Odeio desistir”, disse o tenista de 22 anos depois do jogo e depois de escrever “believe”, acredita, na câmara do court.

Na outra meia-final, já com a certeza de que o adversário da final de domingo seria Carlos Alcaraz, Novak Djokovic procurava ser o fator surpresa a estragar um novo capítulo da rivalidade da moda. Depois de um ano em que chegou às meias-finais de todos os Grand Slams, mas não alcançou nenhuma final, o sérvio aparecia no encontro desta quinta-feira com um dado preocupante: tinha passado as duas rondas anteriores por desistência do adversário por lesão, primeiro Jakub Mensik e depois Lorenzo Musetti, sendo que o italiano abdicou depois de ganhar os dois primeiros sets e numa altura em que estava muito perto de o eliminar.

Do outro lado, Jannik Sinner só procurava fazer aquilo que era o mais expectável. Com apenas um set perdido desde o início da competição, o primeiro contra Eliot Spizzirri na terceira ronda, o italiano tinha a possibilidade de chegar à sexta final de Grand Slam consecutiva, um registo assombroso que à boleia podia significar outra marca inédita — a sexta vitória seguida contra Novak Djokovic, algo que nunca ninguém tinha alcançado.

Numa segunda meia-final muito mais equilibrada do que seria de esperar, Sinner venceu o primeiro set (6-3), Djokovic respondeu no segundo e mostrou que não estava em Melbourne para passear as raquetes (6-3) e o italiano pareceu encarreirar no terceiro (6-4). No quarto, porém, o sérvio voltou a empatar a partida (6-4) e levou-a a um quinto e dramático set: aí, a fénix renasceu (6-4). Novak Djokovic causou o grande choque do Open da Austrália, venceu Jannik Sinner em cinco sets e impediu um novo capítulo da rivalidade da moda, marcando encontro com Carlos Alcaraz na final de domingo e regressando à disputa de um Grand Slam desde Wimbledon em 2023.

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