Por todo o mundo, os jornais internacionais não passam ao lado do que aconteceu este domingo no Estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães. O avançado do FC Porto, Mousa Marega, abandonou o jogo que opunha dragões a vimaranenses a meio, depois de ser vítima de cânticos racistas a si dirigidos. De Inglaterra aos EUA, passando por Espanha, Itália, França e até Austrália, o episódio corre o mundo.

Jornal Marca fala em “um dos episódios mais vergonhosos” na história do futebol português”

O caso Marega visto pela Marca

Em Espanha, o jornal A Marca dá conta, na sua edição online, dos cânticos racistas de que Moussa Marega foi alvo no Estádio D. Afonso Henriques, durante a partida que opôs o FC Porto ao Vitória de Guimarães. O jornal espanhol refere na sua edição inglesa que “o futebol português assistiu a cenas infelizes este fim-de-semana, em que Moussa Marega abandonou o campo na sequência de abuso racial”.

O abuso dos fãs da equipa da casa tornou-se demasiado para o jogador (…) Fazendo gestos com o polegar para baixo dando sinais de querer sair [do campo], Marega foi depois rodeado por colegas de equipa e jogadores da equipa adversária que tentaram convencê-lo a ficar em campo”, refere a Marca.

Na sua edição em espanhol, o título não deixa margem para dúvidas: “Vergonha em Portugal: Marega abandona o campo por insultos racistas”. Lê-se que o ‘futebol’ (assim mesmo escrito) português “viveu um dos episódios mais vergonhosos da sua história”, que o avançado maliano do FC Porto “disse basta e abandonou o campo” e que “o episódio lembra o de [Samuel] Eto’o em La Romareda [estádio do Real Saragoça]”. A Marca alude ainda aos “cânticos de macaco” ouvidos pelo jogador

Num outro texto, feito a propósito das declarações do treinador do FC Porto sobre o assunto, a Marca refere que “a indignação em Portugal, não só no Porto, é tremenda” e trata o caso como um “escândalo”.

As: “Vergonha mundial em Portugal em pleno século XXI”

O caso Marega visto pelo As

Ainda em Espanha, o jornal desportivo As trata o caso da seguinte maneira: “Vergonha mundial em Portugal em pleno século XXI”. No texto que publicou sobre o caso, o As, contudo, defende que “a reação do futebolista do Porto também não foi a mais exemplar”, referindo-se aos “gestos obscenos” feitos por Marega na direção das bancadas, e acrescenta que “em nenhum momento o árbitro ameaçou suspender o jogo”.

Borussia Dortmund apoia Marega: “Enough is enough”

A posição do Borussia Dortmund

O clube alemão Borussia Dortmund mostrou-se solidário com o jogador maliano do FC Porto. “Apoiamos e defendemos convictamente Moussa Marega, do Porto, que foi alvo de cânticos racistas. ‘Again and again, enough is enough’ [Mais uma vez, novamente, basta!”].

L’Équipe: a “raiva louca”, os insultos “de caráter racista” e a mensagem “incendiária”

O caso também não passou ao lado do L’Équipe

Também em França o jornal L’Équipe dá conta do que aconteceu este domingo no Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães. O L’Équipe diz que Marega abandonou o relvado “com uma raiva louca” depois de “ser vítima de insultos de caráter racista por parte dos apoiantes do Vitória” e alude à atitude dos seus colegas, que “não o apoiaram” na intenção que revelou de sair do jogo. Há ainda uma referência à mensagem “incendiária” publicada pelo avançado maliano nas redes sociais.

Euronews: “Jogador do FCP Moussa Marega abandona relvado depois de ‘idiotas’ entoarem cânticos racistas”

A Euronews e a reação de Marega aos cânticos, nas redes sociais

No seu site em inglês, a Euronews dá conta das críticas de Moussa Marega nas redes sociais aos “idiotas” que o escolherem como alvo de “abuso racial tão vil que teve de abandonar o relvado durante o jogo”, como refere já a Euronews. Marega, “que é do Mali”, acrescenta este meio de comunicação, “estava visivelmente zangado com os barulhos a imitar macacos dirigidos a ele depois de marcar o segundo golo do FC Porto na vitória do clube por 2-1 em Guimarães, para a liga portuguesa de futebol”.

Nos EUA, há críticas a “um árbitro que não protege os jogadores” mas também aos clubes e a Sérgio Conceição

Num painel criado a propósito do caso Marega na estação norte-americana ESPN, o assunto é introduzido assim por um dos comentadores: “Temos de continuar a lembrar-nos que continuamos a falar disto em 2020. Depois de tudo o que vimos no futebol nos últimos anos, depois de todas as discussões que têm surgido, ainda há um árbitro que não protege os jogadores. E os jogadores têm de resolver o assunto por si mesmos”.

Durante a conversa, há críticas a árbitros “que não protegem jogadores” e a “clubes e UEFA que não estão a fazer o suficiente”, pelo que a única opção é “fazer um statement” perante a “inação” generalizada.

Um dos especialistas do painel defendeu ainda que os colegas de Marega, “em vez de tentarem pará-lo”, deveriam também ter saído do campo “e tomar uma posição”. O comentador lembrou que “há muitos países em que coisas destas têm acontecido” e “uns estão a tentar lidar com isso mais do que outros, pelo que parece”. Na conversa, é ainda recordada a posição recente de Carlo Ancelotti, treinador do Nápoles: “Disse que se um dos seus jogadores for alvo de abuso racial, toda a equipa deve abandonar o jogo, ‘vou dizer-lhes que saiam’. É isso que os jogadores querem ouvir, que os treinadores vão apoiá-los. Os grandes treinadores também são assim, sentes que ele está pronto para ir para a guerra contigo”.

É ainda notado, durante a conversa, que FC Porto e Benfica estão numa disputa acesa pelo título. Também por isso, aponta um dos comentadores do painel, esta teria sido uma boa oportunidade para os portistas tomarem posição e abandonarem o jogo: mostrariam que “não querem saber” dos três pontos porque a luta contra o racismo no futebol “é mais importante do que isso”.

Eurosport fala em abuso racial

Marega e Alex Telles no site da Eurosport

Também o site em inglês da Eurosport não ignora o que aconteceu este domingo no Estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães. Escreve a estação que “o avançado do FC Porto Moussa Marega deixou o campo em protesto com os insultos racistas de que foi alvo durante a vitória fora por 2-1 da sua equipa frente ao Vitória de Guimarães, na Primeira Liga de futebol em Portugal.

BBC e um caso de “alegado abuso racista”

O vídeo de Marega corre o mundo e já chegou também à estação britânica BBC

No Reino Unido, a BBC também se refere ao caso, de forma sucinta e referindo-se apenas aos factos do jogo. “O avançado do FC Porto Moussa Marega abandonou [o terreno] a meio da vitória da sua equipa frente ao Vitória de Guimarães,dizendo ter sido alvo de abuso racial por parte dos adeptos”.

Na Austrália, destaca-se o… cartão amarelo mostrado a Marega

Na Austrália o caso dos cânticos racistas ao jogador do FC Porto também foi notado. O jornal The Sydney Morning Herald, na sua edição online, escolhe um ângulo curioso para se referir ao que aconteceu este domingo no estádio do Vitória de Guimarães: refere no título que “um jogador de futebol do Porto levou um cartão amarelo pela sua reação a abuso racial”.

Na Austrália, destaca-se o cartão amarelo visto pelo jogador do FC Porto

The Guardian e os “dedos” mostrados a adeptos do Vitória “depois de aparente abuso racial”

Os dedos do meio de Marega em destaque no britânico The Guardian

Em Inglaterra, na sua edição online, o jornal The Guardian refere que Marega “teve de ser contido pelos colegas de equipa” na saída do relvado do estádio do Vitória de Guimarães “depois de ter sido aparentemente vítima de abuso racial durante a vitória da sua equipa por 2-1”. O avançado maliano do FC Porto “sentiu-se incapaz de continuar” e acabou a “levantar os dois dedos do meio aos adeptos da equipa da casa”.

“Escândalo em Portugal”, lê-se em Itália

“Escândalo em Portugal”, lê-se em Itália

Em Itália, o jornal La Gazzetta dello Sport publicou um vídeo com o que aconteceu este domingo no jogo Vitória de Guimarães-FC Porto com o título “Escândalo em Portugal: muitos insultos racistas, Marega abandona o campo”. Num pequeno texto que acompanha o vídeo, refere-se que Marega estava “cansado de coros e uivos” dirigidos a si e nota-se que “os colegas e o treinador Sérigo Conceição” tentaram convencê-lo a não abandonar a partida.