Os veículos eléctricos alimentados por bateria têm uma fragilidade que consiste na tendência que as células com que se formam os packs de acumuladores têm em começar a aquecer de forma descontrolada. Isto dá origem a incêndios que consomem todo o veículo e, muitas vezes, os carros do lado ou a garagem em que está estacionado.

Carros que ardem não são uma característica indesejada exclusiva dos veículos eléctricos, sendo estes incêndios igualmente passíveis de deflagrar em carros com motores a combustão – mais a gasolina do que a gasóleo –, bastando para tal que se verifique uma fuga de combustível ou de óleo. No caso dos veículos a bateria, a origem não depende de uma fuga, mas sim de uma lesão numa das células que a compõem, que tanto pode ser originada por uma forte pancada por baixo, como a que pode acontecer quando se bate numa pedra abandonada no meio da estrada ou se desce um passeio mais alto do que o normal.

A pancada provoca danos numa ou em mais células vizinhas, que podem perder electrólito, o que as leva a aquecer até originar um incêndio, que rapidamente se espalha ao resto da bateria, carro e até à garagem. É que claro que tudo isto pode igualmente dever-se a um defeito de fabrico numa das células ou a um problema no sistema de gestão de energia.

Quanto mais eficientes são as baterias, ou seja, quanto mais densidade energética possuem, mais instáveis são as células, caso alguma coisa corra mal. A Tesla já passou por isto, mas parece que a Porsche vai pelo mesmo caminho, muito mais cedo. Isto porque o fabricante norte-americano vende praticamente 100.000 veículos por ano desde 2012, valor este que tem vindo a subir e que, em 2019, ascendeu a quase 360.000 carros eléctricos. Sucede que, de acordo com os mais recentes dados avançados pelo jornal britânico The Guardian, (só) houve 14 casos de veículos da Tesla incendiados desde 2013, mas a maioria ocorreu após um acidente. Enquanto isso, a Porsche entregou apenas 130 unidades do Taycan em Dezembro de 2019 nos EUA, o seu primeiro mês de vendas no país, mas nem este reduzido valor a impediu de registar o primeiro incêndio num Taycan, com perda total para o modelo e garagem.

O caso teve lugar a 16 de Fevereiro, na Florida, quando um Taycan estacionado numa garagem ardeu por completo. E a garagem também. Testemunhas confirmaram o  evento através das redes sociais, publicando comentários e vídeos. E perante uma solicitação de comentário por parte do Automotive News, o responsável pelo fabricante alemão, Calvin Kim, confirmou “ter conhecimento do incidente”, garantindo ainda que “ninguém tinha ficado ferido”. Já em relação aos danos no veículo e na garagem, a conversa é outra.

Aguarda-se agora que os responsáveis pelo fabricante alemão venham a público com as conclusões sobre o ocorrido, o que será mais fácil de acontecer se a marca possuir a tecnologia para acompanhar os modelos à distância, tal como acontece com a Tesla, o que permite ao fabricante ter conhecimento de tudo o que veículo fez nas horas que antecederam o incidente (ou acidente).