Marc Philipp Gemballa, 26 anos, comunicou há cerca de uma semana a sua intenção de prosseguir o legado do pai, Uwe Gemballa, conhecido transformador alemão que fundou, em 1981, a Gemballa. Na apresentação do seu novo projecto, o jovem anunciou que pretendia dar à sua marca de superdesportivos o seu próprio nome, na íntegra (Marc Philipp Gemballa). Sucede que o apelido Gemballa é o nome próprio da companhia fundada pelo pai de Marc, tendo o estatuto de marca comercial registada. Resultado: os actuais donos da Gemballa não gostaram e decidiram levar o caso a tribunal.

Especializada na transformação e personalização de desportivos com base, sobretudo, em modelos da Porsche, McLaren e Ferrari, a Gemballa mudou de proprietários em 2010, na sequência da trágica morte do fundador da empresa. Após estar desaparecido durante semanas, Uwe Gemballa foi encontrado morto na África do Sul, vítima de um tiro. Na altura, as autoridades alemãs arrestaram os activos da empresa, situação que só foi desbloqueada depois de os novos donos assumirem o que restava da marca e nela injectarem cerca de 15 milhões de euros. A ponto de conseguirem até internacionalizar a operação.

Os actuais donos da Gemballa acusam o filho do fundador da empresa de explorar a notoriedade de que a marca usufrui e de tirar partido disso, sem consentimento, para lançar e promover um projecto que, para cúmulo, rivaliza com o core business do transformador germânico.

Quando utilizou as redes sociais para informar que estaria no Salão de Genebra (entretanto cancelado) e que aí apresentaria o primeiro modelo da sua marca, Marc Philipp avançou que o projecto está em desenvolvimento há dois anos, tem financiamento e até já possui uma carteira de clientes. O filho de Uwe Gemballa fez ainda questão de acrescentar que a Marc Philipp Gemballa se trata de um novo transformador e que não deve ser confundida com a Gemballa. Contudo, entre o material de promoção que difundiu, surge com modelos modificados pelo seu pai. E quanto ao seu alegado desejo de prosseguir com a “herança” do pai, na prática, isso é o que tem vindo a ser feito, há já uma década, pelos actuais donos da Gemballa.