O PSD voltou a não mandar o chefe ao encontro das direitas — a 2ª Convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), que decorre até quarta-feira na Culturgest — e o enviado do líder fez questão de dizer que o movimento que quer liderar não é de direita, mas de centro. Rui Rio, que declinou o convite, enviou o presidente da Mesa do Congresso, Paulo Mota Pinto, que descartou a ideia defendida de manhã pelo líder do CDS, de que a direita precisa de um “chefe” (“os protagonistas estão aí ou aparecerão“, disse) e assumiu que o partido quer liderar “uma alternativa não de direita, mas à direita da governação socialista“.

A solução do PSD não passa assim pela “unidade” dos partidos à direita do PS — que para Mota Pinto não é complicada — mas sim por fazer crescer todo o bloco. Para esse crescimento do bloco não-socialista, a receita continua a ser a mesma de Rio: “O espaço político à direita do espaço socialista só cresce sem ruturas que o assustem, portanto, ao centro.” E, aí, o PSD está disponível para ser o partido maior e que lidera essa “alternativa de governação”.

Mais do agrado da direita que se organiza na Culturgest, Paulo Mota Pinto garantiu que o PSD não será a “muleta do PS“, já que para isso Costa terá de contar com PCP e Bloco de Esquerda. “Se conseguiu aprovar um programa de governo com esses seus sócios, então que negoceie com eles”, defendeu Mota Pinto, que acrescenta que cabe aos socialistas o “primeiro ónus de governabilidade“. Para o dirigente do PSD o que acontece quando o PSD não dá a mão ao PS não são “maiorias negativas”, mas antes “a maioria que o governo não tem”.

Na véspera do 11 de março, Mota Pinto elogiou a tentativa de golpe de António Spínola que tentou pôr fim ao PREC (Processo Revolucionário Em Curso) há 45 anos. O dirigente do PSD destacou depois as divergências ideológicas com o PS mais à esquerda. Prometeu, como de resto Rui Rio já disse muitas vezes, combatera rejeição ideológica do contributo da iniciativa privada na Saúde — mesmo quando é mais vantajosa e eficiente”. Isso acontece, segundo Mota Pinto, por influência de BE e PCP.

A nível da justiça, naquilo que podia ter sido tirado a papel químico do pensamento de Rio, Mota Pinto criticou o corporativismo no setor. Lembrou também que no passado já defendeu — quando colaborou com o programa eleitoral do PSD — uma proposta que previa avaliar os magistrados, mesmo reconhecendo que é um trabalho difícil e complexo. Ainda na justiça, o dirigente do PSD defendeu que a instrução devia depender do juiz, uma vez que “os procuradores atuam sem hierarquia”.

Paulo Mota Pinto avisa ainda o governo que não pode utilizar o coronavírus como álibi para um mau desempenho da economia. O dirigente social-democrata reconhece que a crise do coronavírus é “um evento imprevisível”, mas recorda que “as crises são sempre fruto de efeitos imprevisíveis”. Para Mota Pinto “a questão é saber se e como estamos preparados. Não queremos por isso álibis nem manobras de diversão. O país tem de voltar a crescer.”