A Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral (FAPPC) recomendou esta sexta-feira ao Governo medidas direcionadas às pessoas com deficiência, pedindo-lhe que “não as deixe desprotegidas” e as considere grupo de risco no âmbito de medidas de combate à covid-19.

“Neste momento é importante que as pessoas não sejam esquecidas como grupo de risco e tenham acesso a comunicação acessível. E que os familiares tenham acesso a uma linha direta para que as suas preocupações sejam atendidas e suas dúvidas dissipadas”, defendeu, em declarações à agência Lusa, o presidente da FAPPC, Abílio Cunha.

O dirigente somou às necessidades “urgentes” uma “clarificação” sobre como está e vai decorrer o apoio domiciliário no cenário de estado de emergência em que o país se encontra devido à pandemia, recordando que grande parte das pessoas com deficiência divide o seu tempo entre a sua casa e Centros de Atividades Ocupacionais, os chamados CAO, muitos deles neste momento encerrados. “Estas pessoas não podem ficar desprotegidas”, frisou Abílio Cunha.

Já em comunicado, a FAPPC refere que “especialistas nacionais e internacionais das áreas da saúde e da deficiência estão a solicitar aos diferentes governos que implementem urgentemente ações de resposta direcionadas às pessoas com deficiência, às suas famílias e ao setor dos serviços e instituições que prestam apoio a esta população, tendo em conta a covid-19”.

A federação pede que seja garantido que todas as instituições que prestam serviços relacionados com a covid-19, incluindo os testes de diagnóstico, estejam acessíveis, e que isto seja claramente comunicado às pessoas com deficiência e aos seus cuidadores.

Reforçar a disponibilidade de consultas por videoconferência ou por telefone, que incluam os apoios de saúde especializados orientados para as pessoas com deficiência ou criar uma linha direta dedicada às pessoas com deficiência, às suas famílias e aos serviços e instituições de apoio à deficiência”, são outras das reivindicações.

A federação também pede que esteja previsto que as pessoas com deficiência, principalmente quando em quarentena, tenham acesso rápido ao apoio necessário e pede acesso e sem custo a equipamentos de proteção individual, incluindo máscaras e desinfetantes.

O rápido reforço das orientações dadas aos cuidadores de instituições, nomeadamente das unidades residenciais, para o controle de infeção, ou a criação de uma reserva de pessoas que permita um recrutamento rápido para prestar cuidados a pessoas com deficiência, são outras das recomendações.

A FAPPC alerta, ainda, que alguns cuidadores e funcionários de instituições habituais podem ter de se ausentar para cuidar de seus familiares, situação que poderá significar, lê-se na nota, “o pagamento temporário a outros cuidadores que prestem cuidados à pessoa com deficiência”

Desenvolver um plano coordenado, implementado através das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, bem como de idosos, para lidar com o potencial aumento da violência, abuso e negligência contra pessoas com deficiência, devido ao isolamento social e à interrupção das atividades de vida diárias” é outra das sugestões descrita pela FAPPC.

Esta instituição quer ainda que seja garantido que “os serviços e as instituições que prestam apoios especializados não essenciais permanecem financeiramente sustentáveis, tendo em conta a suspensão temporária das suas atividades” e pede que seja garantido que “as pessoas com deficiência que ainda não têm apoio das instituições a elas direcionadas, mas vulneráveis à covid-19, recebam os apoios de que necessitam”.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou esta sexta-feira o número de casos confirmados de infeção para 1.020, mais 235 do que na quinta-feira, o número de mortos para seis.