A Polícia de Segurança Pública (PSP) admite recorrer ao uso de drones, altifalantes, sistemas de videovigilância e a um aumento das operações STOP para fazer cumprir as medidas que passam esta sexta-feira a estar em vigor no âmbito do estado de emergência decretado para fazer face à pandemia da covid-19.

Em declarações à Rádio Observador na manhã desta sexta-feira, o porta-voz da direção nacional da PSP, Nuno Carocha, disse “todos os meios que não causem desnecessário alarme serão utilizados e serão bons”.

“Uma das formas que poderemos utilizar para fazer passar a mensagem de sensibilizar, informar um conjunto mais alargado de cidadãos num mesmo momento, respeitando as distâncias de segurança que nós também vamos procurar manter com todos os cidadãos para minimizar os riscos de contágio, serão precisamente os altifalantes das viaturas ou os portáteis, para fazer passar a mensagem”, afirmou o porta-voz.

Também os drones poderão vir a ser usados pela polícia para monitorizar a circulação nas ruas do país.

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“O drone é um meio de que a polícia está capacitada já há alguns anos, que utilizamos em diversos contextos. Se se justificar, poderemos utilizar os drones. Não os iremos utilizar indiscriminadamente, porque muitas vezes não fará sentido, mas quando queremos ter uma presença discreta, uma maior abrangência visual, utilizamos também drones”, disse Nuno Carocha.

O porta-voz da PSP disse que não vai haver necessidade de utilizar qualquer tipo de salvo-conduto para sair de casa, mas apelou que a polícia irá reforçar a presença nas ruas para sensibilizar as pessoas a não saírem a não ser em situações de real necessidade.

“A polícia irá continuar a ter essa ação pedagógica de sensibilizar as pessoas para a necessidade de se recolherem, de minimizarem o risco de serem contagiados. Contudo, também saliento aqui que daquilo que se retira da conferência de imprensa de ontem, o que é pedido às pessoas é que o core das suas vidas, isto é, as suas atividades essenciais, ir ao médico, prestar apoio a outras pessoas, idosos ou outros dependentes, ir ao supermercado, continuam a ser atividades que podem e devem ser exercidas por todos, com calma e tranquilidade”, disse o porta-voz da PSP.

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O responsável sublinha que as pessoas devem continuar a fazer essas atividades de forma normal, embora com cuidados acrescidos, de modo a “retirar a necessidade de açambarcamento, das corridas aos supermercados e às farmácias”. “Não existe necessidade disso”, sublinhou.

“O que é pedido à população, e o nosso papel de sensibilização também há de ir muito por aí, é que aquelas atividades de lazer de que todos tanto gostamos e que tanta falta nos fazem, por agora vão ter de ficar suspensas. O passeio na praia, o passeio no jardim, tudo aquilo que não seja essencial para a nossa vida vai ter de sofrer algum condicionamento”, acrescentou.

Até agora, notou Nuno Carocha, “tem existido uma maior afluência” aos supermercados, nomeadamente “mais algum trânsito rodoviário em redor das maiores unidades”. Porém, não tem havido problemas, “altercações violentas” nem “filas muito tensas de pessoas”. “A população tem sido extraordinária”, assegurou.

PSP na “capacidade operacional máxima”

Depois de, na quinta-feira, o primeiro-ministro ter anunciado as principais conclusões saídas do Conselho de Ministros extraordinário que decorreu durante todo o dia no Palácio da Ajuda, o porta-voz da PSP destaca que “a declaração do estado de emergência foi um sinal extremamente importante de assunção da gravidade da situação”.

“No que diz respeito às forças de segurança, é-nos solicitada uma ainda maior presença junto da população, a disponibilidade para prestar um apoio ainda maior, e essa é para nós a primeira linha de intervenção. A sensibilização, a prestação de informação, estarmos junto das pessoas para apoiar naquilo que seja necessário”, explicou Nuno Carocha.

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Nesse sentido, a direção nacional da PSP “suspendeu, para já, as férias de todos os polícias”. “Portanto, estamos em capacidade operacional máxima. Todos os serviços não essenciais serão também interrompidos, precisamente para termos ainda maior disponibilidade de polícias para estarem na rua junto da população. Esta é, para nós, a primeira linha e a mais importante linha de intervenção”, destacou o porta-voz.

“Em bom rigor, estamos com capacidade operacional máxima. Temos a disponibilidade das quase 20 mil pessoas que compõem a PSP”, disse Nuno Carocha.

“Assim que sair a legislação que resultará do Conselho de Ministros extraordinários que está a ter lugar, também iremos prestar informação aos operadores económicos. Já conhecemos as linhas mestras do que será essa legislação desde a conferência de imprensa de ontem, mas a partir do momento em que for publicada, iremo-nos dirigir à população, aos operadores económicos, sensibilizá-los e informá-los”, detalhou o porta-voz da PSP.

Nuno Carocha sublinhou ainda “a excecional recetividade que tanto os operadores económicos como a população têm manifestado desde o primeiro momento”.

“Por exemplo, numa primeira fase, quando foi decretado o encerramento dos bares a partir das 21h, houve muitos operadores económicos que não tinham conhecimento disso, e depois de termos tido contacto com eles, as medidas foram recebidas com grande predisposição, foram imediatamente cumpridas, não registámos nenhum caso de incumprimento. Esta predisposição e esta colaboração têm sido fundamentais e vão continuar a ser fundamentais para superarmos esta crise”, disse.

Porém, Nuno Carocha avisou que, se em algum momento houver comerciantes que se recusem a cumprir as ordens de encerramento decretadas pelo Governo, a PSP não ficará “sem fazer nada”. “É uma situação de crise, as medidas têm de ser cumpridas. Havendo alguma situação em que se regista o reiterado incumprimento, estamos municiados de instrumentos legais para fazer cumprir a lei”, assegurou.

Colegas de agente infetado estão a ser monitorizados

O porta-voz da PSP confirmou a existência de um agente infetado com o novo coronavírus, notícia já conhecida desde a noite de quinta-feira, e detalhou que o polícia se encontra em quarentena e não terá infetado mais ninguém. Ainda assim, os elementos da equipa que trabalhavam com o agente que está infetado estão a ser monitorizados.

“É o primeiro caso que temos — esperemos que se mantenha o único — de um polícia infetado. Era um polícia que já estava sinalizado, já estava em quarentena. Temos seguido estritamente todas as indicações da Direção-Geral da Saúde no que diz respeito à sinalização de casos e ao seu isolamento imediato. Portanto, estamos em crer que também conseguimos evitar que esse polícia constituísse uma fonte de contágio para o resto da comunidade”, disse Nuno Carocha.

“Os restantes polícias que com ele fazem equipa estão também a ser monitorizados e seguidos pelas autoridades de saúde. Se necessário, vão ser também isolados. Por agora, esse polícia é o único que tem os sintomas do contágio”, acrescentou o porta-voz.