Laranjada

Desde 1872

No mesmo ano em que nasceu o antigo presidente Sidónio Pais, 1872, nasceu também a Laranjada madeirense, o primeiro refrigerante de sempre a ser produzido, comercializado e bebido em solo português. Para ter uma ideia, a Coca-Cola só surgiu 14 anos depois desta maravilha cítrica.

A Laranjada madeirense (existem outras) estará sempre muito ligada às tradições da ilha

Apesar de a banana ser o fruto mais associado à Madeira, a laranja é outro bom exemplo do que cresce num clima praticamente tropical. No século XIX havia-as com abundância na ilha e terá sido por isso que a fruta foi escolhida para brilhar nesta bebida que hoje pertence à Empresa de Cervejas da Madeira – a par da igualmente famosa Brisa.

Cheia de gás, ligeiramente acidulada e com uma cor quase fluorescente, a Laranjada madeirense (existem outras) estará sempre muito ligada às tradições da ilha. Uma delas, por exemplo, são os famosos cocktails que misturam o refrigerante e uma de duas coisas: vinho ou uma cerveja Coral bem fresca.

Bussaco

Desde 1921

Criada a 16 de fevereiro de 1921, no centro de Portugal, a Sociedade de Refrigerantes do Buçaco Lda. vai já na terceira geração. José Dias Carvalho foi o fundador e é o neto João Carvalho quem gere atualmente a empresa.

O negócio foi perdendo gás, mas ultrapassou os contratempos e a empresa continua viva e de boa saúde

Numa época em que os refrigerantes começavam a ganhar fama um pouco por todo o mundo, José Carvalho foi visionário. Como as águas da zona do Luso já eram famosas pela sua qualidade e por terem até, em teoria, propriedades medicinais, decidiu apostar nelas associando-as ao fenómeno dos refrigerantes. Gabando-se de serem “vitaminados” e “sem estimulantes”, como se lia nos primeiros anúncios da marca, os refrigerantes Bussaco foram um sucesso tremendo, chegando a ganhar prémios internacionais. Aos poucos, porém, o negócio foi perdendo gás, mas ultrapassou os contratempos e a empresa continua viva e de boa saúde, com um portefólio onde entram outras marcas, como a Bussaquinho (mais virada para crianças), uma gasosa e ainda a água mineral Caldas de Penacova.

Gruta da Lomba

Desde 1950

“Ao sol ou à sombra, beba refrigerantes Gruta da Lomba.” Já não se fazem slogans assim e há uma razão para isso: a empresa que o criou já tem mais de meio século. Nascida em 1950, na zona de Guetim, Espinho (ao pé de uma antiga gruta, daí o nome), a marca é ainda hoje um símbolo da indústria de refrigerantes portugueses. De entre os nomes nacionais mais pequenos, é das que apresenta o maior portefólio: mais de 36 produtos, entre eles os Fruti Gruta, a Gruta Tónica ou até o Ice Tea Gruta. O ex-libris, porém, continua a ser o famoso pirolito.

Ainda pode provar o pirolito como era antigamente

Pirolito, neste caso, é o refrigerante que vem numa garrafa com um berlinde, uma invenção do britânico Hiram Codd (1872). A sua criação acabou por se espalhar pelo mundo – e Portugal não foi exceção. Embora seja difícil precisar quem foram os primeiros a usá-la em território nacional, é seguro afirmar que a Gruta da Lomba está entre os pioneiros. E, sim, ainda pode provar o pirolito como era antigamente: continua a ser um dos produtos mais famosos da marca.

Kima

Desde 1950

Em agosto de 2009, o mundo – ou só os Açores, se quisermos ser menos dramáticos – enfrentou um grande contratempo: houve uma quebra brutal na produção e comercialização de maracujá. Os mais incautos podem relativizar, mas não é caso para isso: nesse momento um ícone dos refrigerantes nacionais esteve em perigo, a famosa Kima de maracujá.

A Kima continua a reinar no arquipélago dos Açores

O susto foi grande, mas não foi capaz de tirar importância à criação que saiu das fábricas da cervejeira Melo Abreu (fundada em 1893) algures na década de 50 do século XX – não há dados exatos sobre o ano em que nasceu este símbolo açoreano.

Levemente gaseificada e cheia de fruta, a Kima continua a reinar no arquipélago e arredores: é dos poucos sumos do género que ainda tem a dita polpa no interior de cada garrafa. É precisamente por causa dela que a melhor forma de verter uma Kima num copo – alto, de preferência – é virando o gargalo de repente, para que o dito recheio desça ao mesmo tempo que o líquido.

Sumol

Desde 1954

António João Eusébio foi o homem que, em 1954, decidiu criar aquele que viria a ser uma das mais históricas bebidas portuguesas. Para ele, refrigerantes eram coisas de verão e é precisamente dessa ideia que nasce o nome que ainda hoje todos sabem de cor: Sumol era o “sumo do sol”.

“Um gato é um gato, um cão é um cão, Sumol é tudo aquilo que os outros não são”

Laranja foi o sabor de estreia deste refresco que se gabava de não ter corantes nem conservantes, de ser levemente gaseificado e até de ter alguma polpa do citrino em suspensão.

Quatro anos depois do lançamento surge um novo sabor, ananás, e em 1965 faz-se história graças a uma invenção que na altura já fazia parar o país: a Sumol torna-se a primeira marca de refrigerantes em Portugal a ter um anúncio televisivo. “Um gato é um gato, um cão é um cão, Sumol é tudo aquilo que os outros não são”, dizia-se no reclame.

Os tempos que se seguiram foram de sucesso: o novo sabor de maracujá chegou em 1994, o primeiro festival Sumol Summer Fest aconteceu em 2009, e 2013 tornou-se o ano em que as exportações ultrapassaram as vendas dentro do país.

Rical

Desde 1961

Mais do que uma garrafa, é uma história de resiliência. A Rical nasceu em 1961, da união de várias pequenas empresas ribatejanas, e assentou arraiais na Quinta de Santo António, em Santarém. Era aí que as 50 trabalhadoras da empresa passavam grande parte dos seus dias a fazer esta bebida de “sumo de frutos”, que se anunciava nas garrafas pirogravadas como: “Dos melhores, o melhor”.

O refrigerante que orgulhosamente se dizia “sem corantes nem conservantes” desaparece e hoje sobrevive apenas a gasosa

Durante vários anos, a marca viveu uma história de sucesso: toda a gente queria uma garrafa pirogravada (processo feito, inicialmente, na Marinha Grande), fosse qual fosse o sabor do refresco – pêssego, laranja, tangerina ou ananás. Mas nos anos 80 foi preciso engolir em seco. No final dessa década, a marca já estava mergulhada numa grave crise que acabou por culminar na venda do negócio à Unicer. O refrigerante que orgulhosamente se dizia “sem corantes nem conservantes” desaparece e hoje sobrevive apenas a gasosa, produto que a Rical também fazia desde o início e que é o único que ainda pode encontrar à venda.

Frutol

Desde 1963

É impossível falar da Frutol sem falar das Águas do Arieiro. A marca de refrigerantes é um dos braços da empresa histórica que nasceu nas Caldas da Rainha e que tem na água Fastio o seu principal estandarte. Apesar de o arranque oficial da empresa ter acontecido nos anos 60, o pai do fundador já explorava o mundo dos refrigerantes há muito.

A Frutol foi um sucesso imediato

Reza a história que, em 1930, Domingo Perez trabalhava num restaurante em Alcântara e tinha uma máquina manual de gaseificar e encher “pirolitos”. Vendia-os num raio de quatro quilómetros e fazia as entregas num carrinho de mão. Oito anos mais tarde, o filho, Serafin Perez, percebe que os refrigerantes eram a moda do momento e cria o seu primeiro projeto dentro da área: os pirolitos Diamante. Um caminho que culmina no nascimento da Frutol, em 1963.

Dando uso à fama da qualidade das Águas do Arieiro, a Frutol foi um sucesso imediato. Gaseificado e com sabor a fruta, o refrigerante viveu a sua época dourada nos anos 80 e teve de enfrentar a chegada de novas marcas estrangeiras e o aparecimento das grandes superfícies, mas continua à venda ainda hoje.

Frisumo

Desde 1971

Lembra-se do Tampinhas, aquele boneco laranja, verde e branco que apareceu no início dos anos 90? Foi uma criação da Frisumo e surgiu numa altura em que a marca de refrigerantes já somava quase 20 anos – nasceu em 1971. Quando o boneco apareceu, já eram várias as bebidas semelhantes que existiam no mercado e a Frisumo queria reconquistar a importância de outros tempos, junto dos mais novos. Tendo em conta que ainda hoje existe (faz parte do Super Bock Group), a ideia parece ter corrido bem.

A marca ganhou vários prémios internacionais

O nome era fruto da junção de duas palavras: “Fri”, uma alusão ao frio de uma bebida refrescante, e “sumo”, a base pasteurizada, sem corantes nem conservantes, que atingiu o sucesso com o seu sabor a laranja.

A marca ganhou vários prémios internacionais, foi lançada em França e na Suíça, e em 1998 juntou o sabor de maracujá ao catálogo. O Tampinhas e o Frisumo Kid marcaram uma década
e só foram reciclados em 2000. Seguiram-se dois novos sabores (limão e laranja vermelha) e hoje o prefixo internacionalizou-se, passando a remeter também para a ideia de liberdade (“free”).

Artigo publicado originalmente na revista Observador Lifestyle nº6 – Especial 100% português (novembro 2019).