No lar Geriabranca, em Albergaria-a-Velha, as medidas de prevenção à Covid-19 foram implementadas ainda no mês de fevereiro. Além de trabalharem com máscaras e luvas, aos funcionários foi-lhes também pedido que reduzissem o contacto social. Mas isso não impediu a propagação da doença na residência, provocando a morte de uma idosa, de 89 anos, na madrugada de segunda-feira.

As duas residentes que com ela partilhavam o quarto estão, ainda, hospitalizadas e testaram positivo para a Covid-19. Tal como oito funcionários do lar. A aguardar o resultados dos testes que fizeram, esta quarta-feira, estão ainda cinco colaboradores. Todos já se encontram em isolamento nas suas residências.

Ao Observador, Lurdes Reis, diretora técnica do lar privado, conta que a idosa que morreu estava febril desde quarta-feira, mas como se tratava de uma residente com várias morbilidades, resultantes da idade avançada, não foi isolada e manteve-se num dos quartos triplos do lar. “A utente foi vista pelo médico e não apresentava sintomas respiratórios. Suspeitou-se que se tratava de uma infeção urinária e foi medicada. Só no domingo é que o seu estado de saúde se agravou e já tinha problemas respiratórios”. Foi nessa altura que o INEM foi chamado e levou a idosa para o Hospital de Aveiro, onde viria a morrer.

Medo do Covid-19 espalha-se entre os mais idosos. Alguns recusam apoio domiciliário para não receberem visitas

Desde então, o lar foi obrigado a fechar portas. Mas lá dentro, estão seis colaboradoras (incluindo Lurdes Reis) a prestar cuidados a 25 idosos. Só as refeições é que vêm refrigeradas de fora. Todo o restante trabalho é feito pelas seis funcionárias “exaustas e esgotadas”, desabafa. Não foram testadas à Covid-19, mas têm de manter o lar a funcionar mesmo sem saberem se estão ou não infetadas.

“Quando recebi o diagnóstico do hospital, liguei para a linha SNS24 e comuniquei toda a situação. Depois, comecei a ser acompanhada pelo delegado de saúde e o INEM veio até cá com seis testes de diagnóstico. Disseram-me que não tinham mais”, relata Lurdes Reis, que se viu assim obrigada a selecionar os utentes que conviveram mais de perto com as idosas diagnosticadas com a Covid-19.

Os restantes idosos, que se mantêm isolados nos quartos duplos ou triplos (juntamente com os que aguardam resultados) vão ser testados na quinta-feira depois da administração ter optado por recorrer a um laboratório privado. Isto depois do serviço público não lhes ter indicado, até hoje, qualquer data para a realização dos testes, o que não é compatível com a atividade de um lar. “Preciso de saber o estado de saúde de todos os utentes para saber como atuar”, admite Lurdes Reis. Também esta quinta-feira, as cinco funcionárias e a diretora técnica têm autorização para ir (por meios próprios) ao Hospital de Aveiro realizar testes.

Esta terça-feira, em conferência de imprensa, António Lacerda Sales esclareceu que Portugal tem capacidade para realizar 30 mil testes por dia mas “estes têm de ser racionalizados em função de vários critérios”. O secretário de Estado da Saúde apelou a um critério racional. “Não estamos a poupar em testes, nem na alocação de recursos financeiros. Estamos é a fazê-lo de forma séria a responsável”.