Os exames nacionais devem ser adiados para setembro e as provas de aferição e as provas nacionais de 9.º ano devem ser canceladas. A sugestão é da FNE, a segunda maior confederação de sindicatos de professores do país. Também a Fenprof, liderada por Mário Nogueira, já tinha sugerido a suspensão das provas de aferição do básico e o adiamento dos exames do secundário, para setembro ou início de outubro.

Esta segunda-feira, a FNE, liderada por João Dias da Silva, reforça um pedido que também foi feito por confederações de pais e de diretores. “Entende-se que no presente ano letivo não devem realizar-se nem as provas de aferição, nem os exames de 9.º ano, e que os exames de 11.º e 12.º anos devem ser adiados para setembro, pese embora com consequências para um deslizamento da data de início do próximo ano letivo ou do acesso ao ensino superior”, lê-se no comunicado enviado às redações.

Ensino à distância. Diferentes velocidades entre escolas, alunos sem computadores e pais sem tempo trazem à tona as desigualdades

As provas de aferição deveriam realizar-se entre maio e junho, mês em que se realizam também as provas nacionais do 9.º anos. Já a 1.ª fase dos exames nacionais decorrem na segunda quinzena de junho. Até à data, o Ministério da Ciência e Ensino Superior não tomou qualquer posição pública sobre um possível adiamento do calendário de acesso ao ensino superior.

Em Espanha, as provas previstas para o início de junho foram adiadas enquanto que o Reino Unido anunciou o cancelamento dos exames de conclusão do ensino secundário e de acesso ao ensino superior.

O ensino à distância funciona?

No comunicado, a FNE defende ainda que o Ministério da Educação “tem a obrigação de disponibilizar as condições e os recursos que permitam o acesso a modalidades alternativas de contacto direto com os alunos”, lembrando que a situação atual nas escolas vem “reforçar as desigualdades entre alunos”.

“Com efeito, o que temos verificado é que há docentes e alunos que ou não tem ao seu dispor equipamentos adequados ao ensino a distância ou não dispõem de acesso à internet, pelo que não podemos ignorar que não tem havido um acesso universal a mecanismos de informação/formação”, conclui.