A temporada de ténis tem quatro Grand Slams. Quatro grandes torneios por ano: os mais competitivos para os melhores tenistas do mundo, os mais acompanhados pelos fãs da modalidade em centenas de países e os que maior atenção mediática, desportiva e financeira atraem. O primeiro é o Open da Austrália, logo em janeiro, que este ano ainda foi conquistado por Novak Djokovic antes de a pandemia tudo parar. Segue-se Roland Garros, em França, em maio; depois Wimbledon, em Inglaterra, em julho; e por fim o US Open, nos Estados Unidos, entre agosto e setembro.

O novo coronavírus, porém, tudo veio mudar. O Roland Garros foi o primeiro a ceder, até por ser o próximo, e adiou desde logo as datas do torneio para setembro. O US Open, por estar agendado para daqui a alguns meses, ainda não fez qualquer alteração ao calendário. E numa altura em que se esperava que Wimbledon seguisse a mesma linha de Roland Garros e anunciasse desde já um adiamento para novembro ou dezembro, a organização do torneio inglês surpreendeu e cancelou de forma definitiva a edição de 2020.

O Grand Slam inglês não era cancelado desde a Segunda Guerra Mundial

Uma decisão surpreendente e que apanhou o mundo do desporto no geral e do ténis em particular de surpresa. Desde a Segunda Guerra Mundial que Wimbledon não era cancelado e desde 1877, data da primeira edição, que não era cancelado por outro motivo que não uma guerra. A principal pergunta, mais do que a questão da falta de antecedentes, foi financeira: como é que a organização de Wimbledon poderia cancelar sem ressalvas o torneio e abdicar desde logo da receita média de 300 milhões de euros de cada edição? A resposta acaba por ser simples.

Segundo o The Times, o All England Club, o clube privado que anualmente organiza Wimbledon, acionou um seguro contra pandemias em 2003, depois da epidemia de SARS. O pagamento de mais de um milhão de euros por ano acabou por culminar num prémio de 114 milhões de euros que agora, praticamente 17 anos depois, acabou por compensar o investimento e a decisão, que na altura poderia parecer exagerada.

É certo que Wimbledon não terá os 300 milhões de euros da venda de bilhetes, das transmissões televisivas e da publicidade; mas também é certo que vai perder bem menos do que os restantes Grand Slams caso estes também tiverem de ser cancelados.