A partir desta terça-feira, o hospital de campanha montado no Super Bock Arena/Pavilhão Rosa Mota, no Porto, está disponível para receber os primeiros doentes Covid-19, num espaço que conta com 320 camas no total. Nos primeiros três dias de funcionamento, o hospital vai receber entre 12 a 16 doentes. Mas há já um desejo: “Oxalá não venha a encher”, referiu Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, numa visita ao novo hospital.

Em cada enfermaria montada no centro da sala de espetáculos há camas distribuídas e montadas pelo exército português que, de acordo com o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, estão destinadas a três tipos de doentes: os assintomáticos que não tenham condições para fazer o isolamento em casa, os assintomáticos “que têm alguma disfunção de outra doença que já tinham anteriormente, que não respiratória, e que necessitem de cuidados médicos básicos” e ainda os que estão à espera de ter um teste negativo.

A acompanhar os doentes — que são encaminhados do Hospital de Santo António, do Hospital de São João e do Centro Hospitalar Gaia/Espinho — estarão cerca de 150 voluntários, orientados por um coordenador na parte médica, um na de enfermagem e ainda um terceiro na área dos auxiliares. O “Hospital de Campanha Porto”, refere o dirigente da Ordem dos Médicos, poderá dar resposta a cerca de 20% dos doentes que as duas unidades hospitalares da cidade têm internados.

“Tudo isto tem afetado um número muito grande de cidadãos e tem criado uma pressão muito grande a nível dos hospitais. Estamos a tentar aliviar essa pressão. Se conseguirmos retirar uma percentagem razoável de doentes dos hospitais, isso permitirá aos hospitais, que são unidades de saúde altamente diferenciadas, prestar cuidados aos doentes que realmente precisam”, sublinha António Araújo.

O pavilhão estava inicialmente destinado a receber os utentes dos lares e residências coletivas da cidade – no âmbito do programa de rastreio a todos os lares –, mas o Seminário de Vilar e a Pousada da Juventude disponibilizaram espaço para os receber. “Termos estes suportes e estas retaguardas é muito importante. Oxalá ele não venha a encher. Seria ótimo. Oxalá não esteja aberto até 31 de julho. Mas não podemos fiar na sorte. Temos de estar preparados para o pior”, alerta Rui Moreira.

O espaço está dividido em duas zonas: a área vermelha ou “zona suja”, onde estarão os doentes com Covid-19, e a área verde (“zona limpa”), onde os profissionais de saúde podem andar “de forma um pouco mais descontraída”, explica António Araújo, acrescentando que “os circuitos estão todos muito bem definidos” para a entrada de alimentação, produtos farmacêuticos, saída de resíduos e entradas dos doentes e dos profissionais de saúde. O hospital estará em funcionamento até ao dia 31 de julho.

Na visita a este espaço, durante esta tarde, estiveram também presentes os presidentes do conselho de administração do Hospital de Santo António e do Hospital de São João, bem como do secretário de Estado da Mobilidade. Eduardo Pinheiro referiu que “já foram identificados vários locais do ponto de vista de instalações físicas” que possam servir de hospitais de retaguarda na Área Metropolitana do Porto.

“Naturalmente, não é só ter o espaço, é necessário garantir todo um pessoal técnico, toda uma coordenação. As realidades também não são as mesmas”, sublinha Eduardo Pinheiro, salientando que estes espaços “serão comunicados em pouco tempo”.

Durante a visita ao hospital de campanha foi também anunciada a chegada de mais 30 ventiladores para os dois hospitais da cidade (Hospital de Santo António e Hospital de São João), doadas por Jack Ma, cofundador e presidente executivo do grupo Alibaba.

(Artigo editado com mais informações sobre os hospitais que encaminham os doentes para este hospital de campanha)