O ministro das Finanças esteve esta noite reunido com o primeiro-ministro durante quase três horas, os dois responsáveis políticos saíram juntos do palacete de São Bento num sinal de que Mário Centeno se mantém no Governo. No final da reunião, o gabinete do primeiro-ministro emitiu um comunicado a dar conta que estiveram a tratar da preparação da reunião do Eurogrupo, e do orçamento suplementar mas também que “ficaram esclarecidas as questões sobre a falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao fundo de resolução” do Novo Banco.

Os dois saíram juntos da residência oficial do primeiro-ministro e só não se cumprimentaram em frente das câmara de televisão — entretanto chamadas a registar o momento que António Costa quis mostrar num dia especialmente tenso na relação com o ministro que escolheu para as Finanças em 2014 — porque o tempo é de distanciamento físico. No comunicado divulgado no final deste encontro, fica ainda sublinhado que o empréstimo concretizado por Centeno e que provocou polémica (ler abaixo) “estava previsto no Orçamento do Estado para 202o que o Governo propôs e a Assembleia da república aprovou”. E ainda que as contas de 2019 da instituição bancária foram supervisionadas pelo BCE e também “auditadas previamente à concessão deste empréstimo”, colocando de lado a ideia da falta de uma auditoria, embora aquela que o primeiro-ministro pretendia que fosse feita antes fosse a auditoria independente que chegará e julho.

O comunicado de António Costa termina com a afirmação: “O primeiro-ministro reafirma publicamente a sua confiança pessoal e política no Ministro de Estado e das Finanças, Mário
Centeno”. E uma hora depois de sair de São Bento fazia publicar no Twitter uma mensagem sobre a reunião com Centeno e uma imagem dos dois.

O encontro surgiu num momento quente dentro do Governo, em que o ministro das Finanças autorizou a transferência de um empréstimo de 850 milhões de euros para o Fundo de Resolução capitalizar o Novo Banco sem que o primeiro-ministro tivesse tido conhecimento prévio.

A transferência foi feita no início de maio, sem que isso tivesse sido discutido em concreto em nenhum Conselho de Ministros, embora estivesse prevista no Orçamento do Estado para este ano. O próprio ministro das Finanças admitiu publicamente que houve uma “falha de comunicação” no momento da transferência, o que levou António Costa a afirmar no debata quinzenal da semana passada que a operação não seria feita até serem conhecidos os resultados da auditoria especial pedida pelo Governo à gestão dos créditos problemáticos decididos ainda no tempo do Banco Espírito Santo, desde 2000, mas apanhando já a gestão do Novo Banco.

Mário Centeno esteve esta manhã no Parlamento a explicar o assunto na Comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, negando ter agido “à revelia” do primeiro-ministro. Todas as decisões passaram pelo Governo e pelo Conselho de Ministros, acrescentou.

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O Presidente da República também se pronunciou esta quarta-feira sobre o assunto, defendendo a posição do primeiro-ministro que só queria ter a transferência feita depois de conhecer o resultado da auditoria independente à gestão no Novo Banco nos últimos anos. O líder do PSD, Rui Rio veio entretanto pedir a demissão de Mário Centeno de ministro das Finanças.

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Artigo atualizado às 22h58 com o final da reunião e a permanência de Mário Centeno no Governo