James Dyson, a quem os britânicos atribuíram o título de Sir, é um reputado empreendedor e inovador empresário, que se especializou em aspiradores, secadores de mãos e tudo o que envolva sopro de ar, alimentado por motores eléctricos. Daí que o empresário de 73 anos, cuja fortuna está avaliada em 18 mil milhões de euros, tenha decidido que a sua próxima criação teria quatro rodas, mas algo diferentes das utilizadas nos aspiradores que o tornaram célebre.

Em 2017, Dyson anunciou que pretendia apresentar o seu primeiro automóvel eléctrico em 2020, admitindo que já estava a trabalhar secretamente no projecto desde 2015. Uma das suas apostas era uma startup americana (a Sakkti3), que adquiriu por 105 milhões de dólares, em Março de 2015, e que se dedicava ao desenvolvimento de baterias sólidas – na realidade, com electrólito sólido em vez de líquido.

Nunca foram tornados públicos muitos detalhes sobre as baterias ou em relação ao veículo, sendo de realçar que há muitos fabricantes de acumuladores (basicamente, todos os chineses) que há mais de dois anos anunciam já ter conseguido produzir baterias sólidas, sem contudo nunca as revelar a ninguém e, muito menos, vender. Se esta tarefa é ciclópica para um grande fabricante de baterias, imagine-se para uma pequena startup, embora a Dyson se tenha comprometido a investir 2 mil milhões de euros rumo à produção.

Os planos terão começado a correr mal quando, em 2017, Sir James abandonou as patentes das suas baterias sólidas para a universidade do Michigan, indiciando que as promessas da Sakkti3 nunca se iriam materializar. Pouco depois começou a constar que o eléctrico da Dyson, que deveria contar com dois motores (um por eixo) a totalizar 540 cv, mas com uma impressionante autonomia de 1000 km entre recargas, não iria para a frente.

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Depois de investir 2,3 mil milhões no seu carro eléctrico, dos quais 500 milhões do seu próprio bolso, Sir James abandonou o projecto em Outubro de 2019, admitindo que o veículo de dimensões generosas necessitava de ser comercializado por 170.000€ para ser viável. E com os Tesla a reduzir os preços dos seus Model S e Model X para cerca de 100.000€, esses valores deixaram de ser competitivos, especialmente para quem deseje atingir volumes de vendas significativos.

Sem conseguir vender o projecto, nos últimos dias James Dyson enterrou definitivamente o assunto e, para selar a decisão, divulgou uma foto do que poderia ter sido o carro “aspirador”, uma mistura de SUV e monovolume que poderia ser um sucesso, caso as baterias inovadoras se tivessem transformado em realidade.