A DefinedCrowd, uma empresa com ADN português que foi fundada por Daniela Braga, angariou 50,5 milhões de dólares (cerca de 46 milhões de euros). O montante faz parte um investimento série B (fase de angariação de capital para startups que surge depois de outros valores levantados em séries A e seed) e teve a participação da Semapa Next e a Hermes GPE Evolution. Além destes, juntaram-se investidores que já tinham apostado no passado na DefinedCrowd, como a Equity Partners, Kibo Ventures, Portugal Ventures, Bynd Venture Capital, EDP Ventures e a IronFire Ventures.

Além de aumentar significativamente a nossa base de clientes das empresas listada na Fortune 500 [lista anual das empresas mais valiosas nos EUA], também aumentámos a nossa receita de contas existentes, o que comprova nossa proposta de valor. Os clientes existentes continuam a exigir mais dados da DefinedCrowd, Enquanto os novos clientes são atraídos pela nossa crescente reputação de alta qualidade, entrega rápida e privacidade de dados”, diz Daniela Braga.

Ao Observador, Catarina Salteiro, diretora de comunicação da startup especializada em análise de dados com recurso a inteligência artificial, conta que “a Série B já estava a ser planeada antes da pandemia [do novo coronavírus] e não foi afetada por esta”. “A única coisa que sentimos foi que alguns processos burocráticos foram demorados, mas nada de excecionalmente fora do que normalmente acontece”, adianta.

Em comunicado, Daniela Braga, presidente executiva da startup, diz ainda: “Fechar esta ronda de financiamento Série B é uma incrível validação do que alcançamos em apenas quatro anos e meio”. Atualmente, a portuguesa vive em Seattle, nos EUA, onde a Defined Crowd está sediada.

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Com este investimento, a DefinedCrowd afirma que quer “expandir as suas soluções existentes, lançar novas ofertas inovadoras baseadas em subscrições e expandir o seu alcance global”. Ao mesmo tempo, a startup afirma que quer “duplicar o número de funcionários e abrir mais escritórios de investigação e desenvolvimento” até ao final de 2020. “Começámos 2020 com cerca de 200 pessoas, somos atualmente mais de 260, e mantemos no roadmap [plano de expetativas] as contratações que nos vão permitir chegar aos 500 colaboradores em todo o mundo“, diz adianta Catarina Salteiro.

Com um forte foco no apoio a startups promissoras e com tecnologias inovadoras, a Semapa Next orgulha-se de investir nesta ronda série B. A DefinedCrowd tem mostrado rapidamente que é capaz de resolver o problema mais urgente da inteligência artificial ​​– a necessidade de acesso contínuo a dados altamente precisos. Isso posicionou a empresa como líder do setor e estamos entusiasmados por fazer parte dela”, diz a Semapa Next.

A DefinedCrowd afirma ainda, ao divulgar este investimento, que o fecho desta ronda série B “segue-se a um ano extremamente bem sucedido”. De acordo com a empresa, as “receitas e a força de trabalho cresceram 656% e 176%”, respetivamente. Relativamente ao impacto da pandemia, Catarina Salteiro diz que, como os maiores clientes da DefinedCrowd” são as empresas Fortune 500 com uma componente tecnológica muito forte”, não sentiram uma redução no volume de negócio, continuando a conseguir operar como antes era esperado.

DefinedCrowd está a contratar e quer chegar às 200 pessoas até 2020

Em 2015, oito anos depois de ter começado a trabalhar na Microsoft, nos Estados Unidos, Daniela saiu para fundar a sua própria startup de análise de dados com recurso a inteligência artificial. Em cinco anos, angariou cerca de 12,5 milhões de euros através de investidores como a Portugal Ventures, o fundo norte-americano de capital de risco Alexa Fund ou a empresa MasterCard. Este montante junta-se agora aos cerca de 46 milhões de eruos. A empreendedora, que já foi destacada em meios como Forbes ou revista a Wired britânica, foi a primeira vencedora do prémio João Vasconcelos “Empreendedor do ano” em 2019.