O meu pai não era diferente de muitos outros pais. Falo de milhares, milhões de homens que existem desde que o mundo é mundo e dão o seu melhor, mas também o melhor de si, para que os filhos cresçam saudáveis, equilibrados, livres, responsáveis, atentos às realidades à sua volta, sensíveis às desigualdades e capazes de se realizarem, acrescentando valor nas comunidades em que se inserem.

Neste sentido, o meu pai era igual a milhares de milhões e, também por isso, me interessou sempre mais esta forma de genealogia do que aquela outra, cuja ciência é frequentemente posta ao serviço da vaidade humana.

Escrevo sempre de frente para uma fotografia do meu pai, que tenho pousada na secretária. Aliás, são duas fotografias. Uma sequência feliz do último Natal que passámos juntos. Morreu 2 meses depois. Embora tenha todos os dias na minha frente esta dupla memória, a imagem tornou-se mais viva hoje porque sinto que escrevo como se conversasse com o meu pai.

Hoje despeço-me da escrita das crónicas no Observador. Não sei se será um adeus definitivo ou uma despedida por alguns tempos, apenas sei que ética e deontologicamente é imperativo suspender a minha escrita num jornal a partir do momento em que aceitei integrar a equipa com que Carlos Moedas concorre à Câmara Municipal de Lisboa.

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